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Campinas, São Paulo, Brazil
Psicólogo Clínico Junguiano com formação pela Unicamp, terapia corporal Reichiana, Hipnoterapeuta com formação em Hipnose Ericksoniana com Stephen Gilligan.E outras formações com Ericksonianos: Ernest Rossi, Teresa Robles, Betty Alice Erickson. Formação em Constelação Familiar Sistémica pelo Instituto de Filosofia Prática da Alemanha. Uma rica e inovadora terapia divulgada em toda Europa. Professor de Hipnoterapia, além de ministrar cursos de Auto-conhecimento como Eneagrama da Personalidade e Workshop de Constelação Familiar Sistémica em todo o Brasil. Clínica em Campinas-SP. Rua Pilar do Sul, 173 Chácara da Barra. Campinas-SP F.(19) 32950381

Uma relação de ajuda

Como é bela, intensa e libertadora é a experiência de se aprender a ajudar o outro. É impossível descrever-se a necessidade imensa que têm as pessoas de serem realmente ouvidas, levadas a sério, compreendidas.
A psicologia de nossos dias nos tem, cada vez mais, chamado a atenção para esse aspecto. Bem no cerne de toda psicoterapia permanece esse tipo de relacionamento em que alguém pode falar tudo a seu próprio respeito, como uma criança fala tudo "a sua mãe.
Ninguém pode se desenvolver livremente nesse mundo, sem encontrar uma vida plena, pelo menos...
Aquele que se quiser perceber com clareza deve se abrir a um confidente, escolhido livremente e merecedor de tal confiança.
Ouça todas a conversas desse mundo, tanto entre nações quanto entre casais. São, na maior parte, diálogos entre surdos.
Paul Tournier.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Mulher com arquétipo Atena.

Andréia mulher de trinta e cinco anos, solteira, executiva de sucesso. Possui doutorado em Economia, domina muito bem vários idiomas.

Como a deusa grega Atena, Andréia nasceu da cabeça do pai, com pouca percepção de que tinha uma mãe. Como Atena, uma mulher que em algum ponto, inconscientemente se identificou mais com o pai e o elemento masculino do que com a mãe e o feminino. As filhas do pai tendem a ser competentes, sociais e confiantes; com exceção, talvez de sua própria feminilidade, que não se expressa de forma atraente, podendo, portanto ser banida para a sombra.

Como uma deusa guerreira, aparece no mito carregando a espada e o escudo, e ela é uma virgem, isto é uma mulher auto-suficiente. Até o meio da vida, ela não sentiu desejo de se ligar permanentemente a nenhum homem, em parte porque, o papel tradicional da mulher parecia ser portador de uma desigualdade evidente, sempre havia prezado sua liberdade e independência, e sempre tivera muitos amigos homens.

No mito, mãe de Atena, Metis é devorado por Zeus. Sua mãe também em foi engolida pelo poder de seu semelhante a Zeus. Ela sacrificou uma vida profissional para se tornar esposa e mãe em tempo integral, e lentamente desapareceu dentro de sua depressão, tornando de alguma forma invisível para ela. O resultado disso foi que a esposa e mãe arquetípica acabou banida para a sombra.

Andréia é a mais velha de duas irmãs, sendo que sua irmã se identificou com sua mãe, assumindo qualidades do mundo feminino, sendo muito vaidosa e cultivando a beleza estética. Ela não entendia como sua irmã podia perder tempo em se enfeitar, usando maquilagem para ficar atraentes para os meninos. Desta maneira, muitas qualidades femininas foram banidas para sombra.

E como filha do pai, durante toda sua infância ficava fascinada em conversações e debates em torno da mesa, aprendendo desde cedo a nunca perder uma discussão, tornando sua mente racional e parecida com a do pai e deixando com isso de expressar sentimentos, os quais eram vistos como fragilidade.

Mas podemos entender também como uma defesa psíquica essa recusa do mundo feminino, do desabrochar da sexualidade e da sedução, em virtude do grande vínculo e identificação com o pai, e dessa forma ela não correria nenhum risco. O preço que ela pagou foi abandonar sua feminilidade para a sombra.

Ela possui um conflito interno entre se sentir poderosa no mundo e se sentir atraente como mulher. E segundo Bolen (1990), Atenas era protetora e conselheira e aliada de homens heróicos, ela tomou partido de Apolo, libertou Orestes e colocou os princípios patriarcais acima das ligações maternas; como arquétipo é seguida pelas mulheres de mente lógica, governadas mais pela razão do que pelo coração. Em vez de separar-se ou retirar-se, ela aprecia estar no meio da ação e do poder masculino. O elemento da deusa virgem a ajuda a evitar as complicações emocionais e sexuais com os homens com os quais trabalha intimamente. Ela pode ser companheira, colega ou confidente dos homens, sem desenvolver sentimentos eróticos ou intimidade emocional.

Como no mito, se a falta de empatia não mata suas amizades com outras mulheres sua necessidade de vencer pode fazê-lo. Pois as amigas se sentem intimidadas diante de seu comportamento competitivo que evita intimidades. Elas não se sentem parecidas nem com as mulheres tradicionais e nem com as feministas, com as quais elas podem se assemelhar, especialmente mulheres de carreira. (Bolen, 1990).

Andréia não gosta de homens românticos, sensíveis, de bom coração, são adjetivos para descrever homens perdedores. É impaciente com os sonhadores, não se impressiona com homens que estão em busca de alguma coisa relativa a subjetividade da vida, que não possuem decisão. Como no mito de Atenas, somente os heróis têm vez. Sente-se atraída pelos homens bem sucedidos. Ela valoriza os homens que vão atrás do que ela quer, que são fortes e possuem muitos recursos. Em seus relacionamentos ela divide os homens em amizades, e homens que podem ter uma relação sexual sem culpa e sem se envolver emocionalmente.

Ela esta desconectada de seu corpo, que é muito rígido e sem vida, não tomando consciência dele até que fique doente ou ferido, ou quando ganha uns quilos a mais. Ela não gosta da mulher tipo Afrodite, que esbanja sexualidade, nem é dada ao flerte ou ao romantismo, lhe parece muito vulgar. Podemos entender essa repulsa como uma projeção de sua sombra e um desejo inconsciente.

Segundo Bolen, (1990) a mulher tipo Atenas frequentemente permanece celibatária por longos períodos na sua vida de adulta, enquanto enfoca seus esforços na carreira.

Hoje toda sua angustia e ansiedade esta voltada para encontrar um homem a quem possa amar e se entregar. Onde não precise competir com ele de alguma forma. Ela se sente muito segura quando esta diante de diretores da empresa expondo seus projetos e pontos de vista. Vivendo muito bem o seu lado masculino, social e profissional, sendo muito competente.

Mas quando precisa lidar com seus sentimentos, e se vê diante de um homem que sente atraída, tudo isso cai por terra, se sentindo uma verdadeira criança, insegura e apavorada, surgindo sintomas psicossomáticos como dor de barriga, dor de cabeça etc.

A identificação com o feminino, os sentimentos que foram banidos para a sombra, estão alienados de sua consciência, principalmente os sentimentos de raiva que ela racionaliza. É como que todos os sentimentos estivessem enterrados na sombra inconscientemente.

Viver como Atenas, segundo Bolen (1990), significa viver inteligentemente e agir premeditadamente no mundo. A mulher que age assim leva uma vida unilateral e vive para seu trabalho. Ainda que aprecie a companhia de outros, tem falta de intensidade emocional, atração erótica, intimidade, paixão ou êxtase. Ela também é poupada do profundo desespero e sofrimento que podem acompanhar as ligações com os outros ou a necessidade deles. A exclusiva identificação com a racional desliga a mulher de toda a cadeia e intensidade da emoção humana.

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