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Campinas, São Paulo, Brazil
Psicólogo Clínico Junguiano com formação pela Unicamp, terapia corporal Reichiana, Hipnoterapeuta com formação em Hipnose Ericksoniana com Stephen Gilligan.E outras formações com Ericksonianos: Ernest Rossi, Teresa Robles, Betty Alice Erickson. Formação em Constelação Familiar Sistémica pelo Instituto de Filosofia Prática da Alemanha. Uma rica e inovadora terapia divulgada em toda Europa. Professor de Hipnoterapia, além de ministrar cursos de Auto-conhecimento como Eneagrama da Personalidade e Workshop de Constelação Familiar Sistémica em todo o Brasil. Clínica em Campinas-SP. Rua Pilar do Sul, 173 Chácara da Barra. Campinas-SP F.(19) 32950381

Uma relação de ajuda

Como é bela, intensa e libertadora é a experiência de se aprender a ajudar o outro. É impossível descrever-se a necessidade imensa que têm as pessoas de serem realmente ouvidas, levadas a sério, compreendidas.
A psicologia de nossos dias nos tem, cada vez mais, chamado a atenção para esse aspecto. Bem no cerne de toda psicoterapia permanece esse tipo de relacionamento em que alguém pode falar tudo a seu próprio respeito, como uma criança fala tudo "a sua mãe.
Ninguém pode se desenvolver livremente nesse mundo, sem encontrar uma vida plena, pelo menos...
Aquele que se quiser perceber com clareza deve se abrir a um confidente, escolhido livremente e merecedor de tal confiança.
Ouça todas a conversas desse mundo, tanto entre nações quanto entre casais. São, na maior parte, diálogos entre surdos.
Paul Tournier.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Rituais nas constelações familiares

Nas constelações familiares, os rituais desempenham um importante papel. O ritual, como um procedimento repetido da mesma forma, associa-se às dimensões mais profundas da realidade. Nele são experimentadas forças anímicas que não podem, sem perder seu sentido, ser transmitidas pela simples linguagem. Vou abordar aqui brevemente apenas três rituais: a reverência, o deitar-se ao lado dos mortos e a fileira dos antepassados. A inclinação e a reverência

Na reverência, a pessoa que coloca sua família inclina-se diante de seus pais. Ela se inclina diante do destino que atua em sua família e das pessoas que carregam esse destino. A reverência é entendida de modo mais amplo do que a inclinação profunda.

Na inclinação profunda, muitas vezes até o chão, uma pessoa deixa cair a presunção, sobretudo em face do pai ou da mãe. Tal gesto é indicado quando alguém permanece na recusa de se mover em direção aos pais, fez-lhes graves acusações ou talvez mesmo cometeu atos contra eles. Mesmo quando alguém, por amor ou orgulho, se coloca acima dos pais e com isso os perdeu internamente e às vezes também externamente, a inclinação profunda libera. Esse gesto restabelece o desnível entre os pais e o filho e é muitas vezes a condição para que o amor volte a fluir. Não raramente, a inclinação profunda leva uma pessoa a lágrimas abundantes, nas quais a compulsão da presunção e talvez também a culpa podem se dissolver.

O gesto de curvar-se não é indicado quando a pessoa envolvida tem a sensação de ser humilhada pelos pais. Isto acontece, por exemplo, quando vem à tona a recordação de graves maus tratos infligidos pelos pais. Aqui é necessário um outro processo de liberação, e geralmente é preciso trabalhar primeiro com os pais na constelação.

Uma inclinação profunda, feita com o devido sentimento, sempre libera, mesmo que nem sempre seja aceita pela outra pessoa. Às vezes é muito tarde para tal gesto, e então a pessoa precisa carregar diante dos pais a culpa e suas conseqüências. Se é grande a resistência contra a inclinação, pode-se pedir ao representante que a faça em lugar da pessoa envolvida. Isto muitas vezes produz um efeito ainda maior. O representante pode entregar-se mais facilmente ao que acontece. Nele, e no efeito sobre ele, costuma ser mais fácil perceber se é autêntico o gesto de curvar-se, e normalmente a pessoa envolvida participa plenamente, de fora. A inclinação profunda feita pelo representante talvez suporte mais, porque nela não existe o medo inibidor diante do despojamento e porque também a resistência é respeitada. Esse curvar-se envolve também um segundo movimento, igualmente importante, que é o erguer-se. Através dele volta a força e a coragem para um relacionamento adequado e para o movimento amoroso.

A reverência é um gesto abrangente de respeito e homenagem e de soltar-se. Por ela são honradas pessoas que nos precederam, juntamente com seus destinos. Através dela aceitamos os efeitos que o destino de outros trouxe à nossa própria vida e nos desprendemos desse destino. Pela inclinação algo pode “declinar”, isto é, caminhar para seu fim, de forma a poder passar depois de algum tempo, mesmo quanto a seu efeito. Deitar-se ao lado dos mortos

Se alguém morreu no sistema e queremos perceber o efeito de sua morte sobre a família, podemos virar para fora o representante da pessoa morta e afastá-lo da família alguns passos. Podemos também fazer com que alguém se retire do recinto. Se alguém teve uma morte trágica ou se sua morte não foi devidamente considerada e honrada, pode-se fazer com que seu representante se deite no chão, geralmente de costas. Isto provoca geralmente reações muito fortes na constelação, pois o ato de morrer e a morte são sentidos com todo o seu efeito. Talvez alguém queira deitar-se ao lado da pessoa morta, ou esta queira ser abraçada mais uma vez, ou uma mãe ao morrer queira tomar, mais uma vez, seu filho nos braços, ou os vivos se curvam. Freqüentemente não houve uma despedida entre vivos e mortos, que então pode ser resgatada.

Quando se pede a uma pessoa que se deite ao lado de um morto, pode-se notar a atração que a morte exerce e a necessidade freqüente que sentem os vivos de estar entre os mortos. Com efeito, observa-se, muitas vezes, que os vivos querem trazer os mortos de volta à vida. Quando se deitam ao lado deles, percebem logo que isso não é possível e que os mortos também não o desejam. Para outras pessoas, deitar-se ao lado dos mortos faz o efeito de uma redenção e pode-se perceber então algo do poder que possui a vontade de morrer. Se um vivo permanece por algum tempo deitado ao lado de um morto, a intimidade na ligação vem à tona. Porém muitas vezes os mortos também ficam inquietos, querem voltar as costas e ser deixados em paz. A pessoa que vive sente então que sua presença junto aos mortos não é desejada e pode mais facilmente encarar a vida.

Uma mulher tinha passado por graves depressões e algumas tentativas de suicídio. Como quadro de fundo, revelou-se que sentia uma profunda ligação com as vítimas de seu querido avô, que no regime nazista tinha denunciado muitas pessoas e as levado a um campo de concentração. Quando as vítimas e o avô se deitaram no solo, a mulher quis imediatamente deitar-se ao lado das vítimas. Olhou-as com lágrimas nos olhos e sentiu um profundo peso. O terapeuta trabalhou primeiro com o avô e suas vítimas e o resultado foi que estas se afastaram da mulher. De repente, ela se sentiu muito só. Depois de algum tempo, seus olhos procuraram os olhos de seu marido e de seus filhos e ela disse: “Agora gostaria de ficar de novo com os vivos”.

Um movimento como este geralmente só é possível depois que alguém se deitou por algum tempo junto aos mortos. Como ritual, o deitar-se com os mortos transcende esse processo. Nele se experimenta que a vida e a morte fazem parte de uma só realidade. Para além da vontade da vida em afirmar-se, da esperança e do consolo, experimenta-se o efeito liberador que resulta da concordância e da sintonia com o abismo da realidade. Podemos experimentar que a vida é algo que emerge, por um momento, de algo obscuro e que se completa e consuma quando volta a cair nesse obscuro. A vida e a morte, o sucesso e o horror, como tudo o que existe, são acolhidos na grande realidade única. A fileira dos antepassados

Às vezes, mesmo depois que uma constelação foi resolvida, alguém dá a impressão de estar ainda sem força em seu lugar. Pode-se então colocar essa pessoa com as costas apoiadas em seus pais. Desta forma, ela pode perceber e receber em si a força deles, sentindo seu suporte e apoio. Se a força dos pais não for bastante, pode-se colocar atrás deles outros antepassados, até que flua a corrente de força.

Quando os pais se separaram ou é preciso assumir que estão separados, o terapeuta os coloca juntos nesse ritual e depois os separa de novo. Pois, pelo menos no momento de gerar, os pais estiveram assim juntos para a criança. A força masculina pode ser especialmente sentida numa fileira de homens e a força feminina numa fileira de mulheres.

Na fileira dos antepassados, a pessoa não ganha apenas o sentimento de que é sustentada e apoiada pelos pais, pelo grupo familiar e pela grande alma, mas também o saber e a força de perceber que ela própria é agora uma pessoa adulta. Justamente quando foram trabalhadas as vivências traumáticas da criança e as necessidades infantis, entra em ação desta forma, além do movimento amoroso, aquilo que dá apoio e sustento à pessoa. Ao mesmo tempo, abre-se nesse ritual, para muitas pessoas, o olhar para frente. Nossa vida não é apenas carregada pela “fonte”, mas também pelo “desnível” que nos puxa para frente

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