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Campinas, São Paulo, Brazil
Psicólogo Clínico Junguiano com formação pela Unicamp, terapia corporal Reichiana, Hipnoterapeuta com formação em Hipnose Ericksoniana com Stephen Gilligan.E outras formações com Ericksonianos: Ernest Rossi, Teresa Robles, Betty Alice Erickson. Formação em Constelação Familiar Sistémica pelo Instituto de Filosofia Prática da Alemanha. Uma rica e inovadora terapia divulgada em toda Europa. Professor de Hipnoterapia, além de ministrar cursos de Auto-conhecimento como Eneagrama da Personalidade e Workshop de Constelação Familiar Sistémica em todo o Brasil. Clínica em Campinas-SP. Rua Pilar do Sul, 173 Chácara da Barra. Campinas-SP F.(19) 997153536

Uma relação de ajuda

Como é bela, intensa e libertadora é a experiência de se aprender a ajudar o outro. É impossível descrever-se a necessidade imensa que têm as pessoas de serem realmente ouvidas, levadas a sério, compreendidas.
A psicologia de nossos dias nos tem, cada vez mais, chamado a atenção para esse aspecto. Bem no cerne de toda psicoterapia permanece esse tipo de relacionamento em que alguém pode falar tudo a seu próprio respeito, como uma criança fala tudo "a sua mãe.
Ninguém pode se desenvolver livremente nesse mundo, sem encontrar uma vida plena, pelo menos...
Aquele que se quiser perceber com clareza deve se abrir a um confidente, escolhido livremente e merecedor de tal confiança.
Ouça todas a conversas desse mundo, tanto entre nações quanto entre casais. São, na maior parte, diálogos entre surdos.
Paul Tournier.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

A escolha dos representantes.

Uma constelação começa com a escolha dos representantes. Ela deve ser feita num único fluxo, sem predeterminação de pessoas e sem critérios. Quando o cliente valoriza determinadas características das pessoas que quer escolher, ele prende a alma, responsável pela escolha, a fantasias e ligações que distraem. Semelhanças na aparência, altura das pessoas ou outras características não influem na percepção dos representantes. Pois uma pessoa não se torna mãe pelo fato de ser alta ou baixa, e o destino normalmente não depende de características externas. A vantagem de trabalhar com representantes consiste justamente em que eles não se assemelham aos membros da família e aquilo que sentem não depende de qualquer caracterização ou indicação prévia. Desta maneira, podem sentir coisas essenciais que na própria família, devido ao excesso de informações e à grande proximidade, não podem ser percebidas. O essencial é liberado pelo acaso, e este não se prende a nossos laços pessoais.

É conveniente que a pessoa que coloca sua família escolha ela própria os representantes, pois através dessa escolha ela já introduz no processo a busca e a força de sua alma. Isto, porém, não significa que somente ela possa escolher os representantes “certos”. Quando, no decurso de uma constelação, é preciso introduzir outras pessoas, o próprio terapeuta, para agilizar o processo, pode escolher os representantes. Pois pertence às surpreendentes características deste método que pessoas diferentes, colocadas no mesmo lugar dentro de uma constelação, sentem da mesma maneira.

Já no processo da escolha das pessoas é preciso que haja tranqüilidade, concentração e uma certa tensão na pessoa que coloca, no terapeuta e no próprio grupo. O “campo” da constelação já começa a ser estruturado com a escolha e a introdução das pessoas. Os representantes precisam estar disponíveis para se deixarem colocar, desfazendo-se de objetos que possam perturbar, por exemplo, de algum chapéu que chame a atenção. Sua energia deve poder fluir livremente, sem ser prejudicada, por exemplo, por um chiclete na boca. Caso alguma pessoa escolhida não se mostre disponível, hesite ou dê a impressão de estar inibida, o terapeuta deve pedir ao cliente que escolha outra pessoa.

Quantas pessoas devem ser incluídas desde o início numa constelação? Isto depende, naturalmente, das dimensões do sistema a ser colocado e do problema a ser resolvido. Como regra geral, devem ser colocadas apenas as pessoas que sejam absolutamente necessárias. E melhor incluir posteriormente outras pessoas na constelação do que sobrecarregá-la ou bloqueá-la, desde o início, com um excessivo número de pessoas. Quando, por exemplo, houver muitos irmãos e seus destinos não puderem ser tratados individualmente, basta começar com aqueles que, pelas informações prestadas, sejam imprescindíveis, incluindo posteriormente os demais na imagem da solução. Quando os sistemas familiares são muito complexos, o terapeuta começa apenas com os membros que pertencem imediatamente à família do interessado e eventualmente com os “anteriores”. Quando a família de origem tem uma forte influência sobre a família atual, consideramos inicialmente a dinâmica da família atual e depois introduzimos pessoas relevantes da família de origem. Pode-se ainda trabalhar simplesmente com um sistema reduzido, por exemplo, apenas com a mãe e seu filho, ou com a pessoa em questão e sua doença ou sua morte.

Se já no início precisa ser colocado um número maior de representantes, é necessário ficar atento para que cada um deles saiba, desde o princípio, qual é a pessoa que ele está representando e quem estão representando as demais pessoas escolhidas. Caso contrário, começa com freqüência um cochicho entre os representantes, durante o processo da escolha, para saber quem é quem, e com isso se desconcentram. O melhor é que as pessoas sejam escolhidas em alta voz, claramente e numa ordem bem definida. Por vezes, é útil que o terapeuta coloque os escolhidos numa certa ordem provisória que mostre claramente a seqüência dos irmãos.

© Jakob Robert Schneider

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O processo de colocação.

A pessoa que coloca seu sistema deve fazê-lo sem se preocupar com épocas e com razões, e sem uma imagem preconcebida. Se o terapeuta tem a impressão de que o cliente está seguindo algum esquema ou alguma imagem preconcebida, deve adverti-lo e pedir que recoloque os representantes, ou então interromper o processo. Se for perguntado se a família deve ser colocada como é atualmente ou corno era antes, o terapeuta não deve entrar na questão mas acentuar a necessidade de uma “ausência de tempo” na colocação. Pertence à essência da alma, e portanto também de uma constelação, que sua dinâmica não está confinada a um tempo determinado. Vivos e mortos estão presentes da mesma forma, e freqüentemente não sabemos que acontecimentos e que destinos ainda estão atuando numa família.

Na maioria dos casos, as pessoas colocam a família “corretamente”, sem que o terapeuta precise dizer ou explicar muita coisa. Às vezes, é preciso dar algumas indicações introdutórias como, por exemplo: “Coloque sem preocupação de ordem temporal, sem buscar razões, sem imagem preconcebida. Posicione as pessoas em relação umas com as outras, da forma como a família é. Aja de acordo o seu sentimento e confie em seu coração e em sua alma”. Talvez seja preciso ainda dizer algo sobre a maneira de posicionar, como: “Segure as pessoas, de preferência com ambas as mãos, pelos braços ou pelos ombros, de frente ou de costas, e coloque-as silenciosamente em seu lugar, sem configurar posturas e sem dar instruções”. Então o terapeuta se retira, deixa com o interessado o processo da colocação e confia-se à própria percepção do que acontece. Ele toma atenção para que a pessoa configure o sistema com cuidado e amor e para que, desde o início, as forças do campo possam manifestar-se através da “força” da constelação. A reação de atenção ou de intranqüilidade no grupo indica rapidamente se o tema de uma constelação é importante e se a pessoa que a coloca está realmente envolvida.

Quando alguém coloca sem amor sua família, esquece de posicionar pessoas, assegura que já estão certas no lugar onde por acaso ficaram depois de escolhidas, não sabe onde colocar certas pessoas ou duvida da própria imagem que configurou, o terapeuta pode eventualmente intervir com esclarecimento e incentivo; porém, na maioria dos casos, precisa interromper o trabalho, ainda na fase da colocação. Talvez não seja ainda o momento certo para colocar o sistema, ou o sistema escolhido não seja o adequado. Talvez a lealdade a um membro da família ou a falta de alguém, por insuficiência de informação, esteja bloqueando a constelação. Algumas pessoas colocam seu sistema apesar de estarem talvez excessivamente “saciadas” ou excessivamente “famintas” ou amarguradas, ou têm medo do que possa manifestar-se, ou se sentem pressionadas, por exemplo, pelo parceiro, a colocar o sistema, embora não se sintam dispostas a isso.

Uma moça compareceu a um grupo, por intermédio de sua mãe, para fazer sua constelação. Em virtude de seus medos, sua mãe precisou acompanhá-la de Hamburgo a Munique, para que ela pudesse participar. Quando ela começou a colocar, dava a impressão de estar muito desconcentrada e não sabia onde posicionar as pessoas da família. O terapeuta interrompeu imediatamente, e isto trouxe a ela simultaneamente decepção e alívio. Na rodada inicial do dia seguinte ela contou que, na noite anterior, tivera uma séria briga com sua mãe, por causa da interrupção de seu trabalho. O desejo de sua mãe era que ela se livrasse de seus medos, mas o interesse dela era totalmente diverso; o que ela desejava era encontrar finalmente um relacionamento satisfatório com um homem. Ela afirmou isto com muita força na voz, e o terapeuta imediatamente fez com que ela colocasse de novo sua família. Desta vez, ela o fez com muita clareza e energia e conseguiu ter com seu falecido pai um encontro que muito a comoveu e aliviou. Indiretamente algo tinha ficado claro também sobre seus medos. Essa segunda tentativa de colocação foi sustentada por sua própria força e por seu direcionamento interior.

© Jakob Robert Schneider

A imagem colocada

Quando a pessoa; com o auxílio dos representantes, acabou de configurar o sistema das relações familiares, ela se senta, de modo a poder acompanhar bem o que acontece na representação. Também o terapeuta se senta ou se afasta do campo da constelação. Começa uma fase mais ou menos longa de silêncio, em que os representantes entram em contato com seus sentimentos e se concentram no que emerge neles. O terapeuta se deixa impressionar pela imagem que foi colocada. Em termos mais precisos, deixa que esse campo ou a alma da família que foi colocada produza uma impressão sobre ele. Sem se prender aos detalhes, percebe as primeiras reações, freqüentemente sutis, dos representantes, os impulsos de se movimentar, os movimentos corporais intranqüilos, as mudanças na direção do olhar para outros membros da família, um olhar para o chão, para o céu ou para longe, etc. Ao mesmo tempo, o terapeuta fica atento às próprias reações internas, às vezes também corporais, às “imagens” que afloram nele, àquilo que nele fulgura com uma primeira “verdade” (no sentido de um desvendamento). Ele se deixa tocar pelo sistema representado ou pela alma da família. Na medida do possível, “esvazia-se” e deixa-se comover por aquilo que vê e que o toca.

Este é, muitas vezes, o momento mais difícil para um terapeuta, pois nesse ponto ele nada pode fazer, nem sabe para onde o conduzirá a dinâmica da constelação. Talvez seja tentado a formular pensamentos, a compatibilizar a imagem com as informações que já possui ou a refletir como irá proceder. Talvez se coloque sob pressão, coma se passasse a depender dele o sucesso ou o insucesso da constelação. Talvez também fique com medo diante do que possa surgir ou não surgir, ou então se entregue a uma segurança precipitada sobre a forma de achar logo uma solução. Porém o que importa agora é aquilo que Bert Hellinger chama de olhar fenomenológico: um olhar “sem saber”, “sem intenção”, “sem medo”. Este é também um momento profundo de participação naquilo que muitas vezes toca uma família no mais íntimo; o olhar e a percepção do terapeuta (e também dos representantes) são acompanhados de respeito e gratidão por poder participar.

Esse primeiro momento silencioso de uma constelação, antes que os representantes comecem a ser interrogados, é de grande importância. Ele é necessário para que se tome consciência daquilo que a alma do grupo está disposta a manifestar.

Quanto tempo deve durar esse silêncio, é algo que o terapeuta geralmente percebe com muita precisão. O silêncio é sustentado por uma força que vai se construindo, por uma tensão e, às vezes, por uma profunda comoção, que vem à tona durante a representação e também mobiliza o terapeuta e o grupo. Quando o terapeuta começa a fazer perguntas cedo demais, o fator que mobiliza não pode desenvolver-se e o processo da constelação fica superficial ou torna-se cansativo. Freqüentemente o terapeuta não confia no próprio olhar e por conseguinte “necessita” dos representantes e do que eles dizem. Isto, porém, pode sepultar a confiança, no terapeuta. Por outro lado, quando ele espera por um tempo longo demais, a energia da tensão se dissipa e os representantes ficam inquietos e impacientes ou caem num processo que os tira da dinâmica da família que representam e os leva para uma dinâmica pessoal, que então pode falsificar o processo da constelação.

Nem sempre, é verdade, a atitude de deixar que a representação atue resulta numa dinâmica poderosa. Algumas constelações só desenvolvem sua força e sua dinâmica com os passos posteriores. Isso acontece principalmente quando ainda não foram colocadas pessoas decisivas para a dinâmica familiar ou faltam informações importantes. Assim, o terapeuta não deve se deixar perturbar ou desencorajar quando a imagem de uma constelação não apresenta inicialmente profundidade. Embora seja às vezes aconselhável interromper a representação já no princípio, vale a pena, em primeiro lugar, insistir na continuação do processo e confiar em seu bom êxito

Às vezes aparecem, desde o início, reações estranhas nos representantes. Certa vez, um homem colocou sua família de origem. Mal havia acabado de posicionar os representantes quando estes começaram a cochichar e a rir, e não houve meio de fazêlos parar. O homem ficou muito perturbado e confuso e o terapeuta já pensava em interromper o trabalho, quando uma voz interior o aconselhou a presenciar o riso por mais algum tempo. Então ele perguntou ao homem: “O que aconteceu no casamento de seus pais?” Pois algo na imagem lhe fazia lembrar uma companhia de convidados num casamento. O homem respondeu: “Certa vez me contaram que no casamento de meus pais apareceu uma mulher com uma filha de uns vinte anos. Diante de toda a assistência, ela caminhou até minha mãe, mostrou-lhe a mão da filha e disse: “Esse anel na mão de minha filha foi dado a ela de presente por seu marido, junto com a promessa de casamento”. Ao ouvir este relato, os representantes repentinamente silenciaram. O terapeuta introduziu então representantes dessa mulher e de sua filha, que tinham sido supostamente ridicularizadas, e agora elas foram olhadas com emoção.

© Jakob Robert Schneider

Mulher com arquético Perséfone

Daniela tem 20 anos, filha única, apresenta sintomos de depressão e sintoma leve de TOC, perfeccinista onde precisa fazer tudo com muita perfeição e dedicação. Ela é insegura e medrosa precisando sempre da atenção e do Feedback dos outros quando realiza alguma coisa importante. Principalmente no trabalho. Se comportando sempre para agradar as pessoas, não dizendo realmente o que sente, engolindo sentimentos de raiva, com medo de perder o amor dos outros.

Como no mito de Perséfone que possui uma personalidade passiva, sem atitude, que se deixa conduzir pelos outros. Ela representa a mulher eternamente jovem que não sabe quem é, e está até agora inconsciente de seus desejos e forças. Sua atitude é de uma eterna adolescente indecisa sobre quem ou o que ela quer ser quando crescer, esperando que alguma coisa ou alguém transforme sua vida.

Segundo Bolen (1990), Perséfone e Deméter representa um padrão comum mãe-filha, no qual uma filha é por demais íntima da mãe para desenvolver um sentimento independente de si mesma, onde fica claro o lema para esse tipo de relacionamento simbiótico que mamãe sabe tudo e melhor. A filha Perséfone quer agradar a mãe. Esse desejo a motiva a ser uma boa menina; obediente, condescendente, cautelosa e muitas vezes resguardada ou protegida da experiência que produz até a insinuação do risco.

A típica pequena Perséfone é uma garota quieta, despretensiosa, boa menina, tipo que está muitas vezes embonecada, dentro de vestidos que sua mãe escolheu. E bem comportada, que quer agradar, faz o que é solicitado e usa o que é escolhido para ela.

Daniela é uma mulher introvertida que se mostra cautelosa por natureza, porque prefere observar primeiro e participar depois. Ela preferiria ficar na arquibancada até que soubesse o que está acontecendo e quais são as regras, em vez de mergulhar e aprender de primeira mão, como faria uma mulher mais extrovertida.

A relação familiar fixada num padrão Demeter-Persefone a coloca como “a filhinha da mamãe”. Esse tipo de mãe frequentemente trata a filha como extensão de si mesma que contribui ou diminui sua própria auto-estima. A mãe escolhe as festas, aulas de dança, e até mesmo os amigos, como se ela estivesse sendo mãe de si mesma. Proporciona à filha o que ela própria queria ou perdeu enquanto criança, sem considerar que a filha possa ter necessidades diferentes. Vivendo através da experiência da filha, sua mãe abrange detalhes dos compromissos e atividades dela, e espera que a mesma confie nela e compartilhe segredos.

Seu pai é ausente e distante emocionalmente, ou deve ter sido desencorajado pela possessividade da mãe que queria um relacionamento exclusivo com sua filha.

A relação com sua mãe é simbiotica e de dependência, e ela sempre precisa consultar sua mãe para tudo em sua vida. Embora a mãe aparente ser forte e independente, essa aparência é muitas vezes ilusória. Ela cria essa relação de dependência de sua filha para mantê-la perto. Ou precisa que sua filha seja uma extensão de si mesma, e que jamais cresça e vá embora.

Além da dinâmica familiar, a cultura em que vivemos também condiciona as garotas a viverem sua feminilidade com um comportamento passivo e dependente. Se comportando e agindo como Cinderela ou Bela Adormecida, ficando a espera de um príncipe encantado que as resgatem deu sua mãe, e assim dessa forma outros aspectos da sua personalidade não se desenvolvem.

A receptividade inata da mulher tipo Perséfone a torna muito maleável. Se as pessoas significativas projetam uma imagem ou expectativa nela, ela inicialmente não resiste. É um padrão ser como camaleão, provar o que os outros esperem dela. É uma qualidade que a predispõe a ser “mulher-anima”; ela inconscientemente se adapta àquilo que o homem quer que ela seja, isto é ela recebe a projeção da imagem inconsciente da mulher no homem (anima) e inconscientemente se amolda à imagem. (Bolen, 1990).

Daniela como Perséfone não possui uma personalidade madura, ela ainda não tem uma identidade própria, estando inconsciente de si mesma. Ela possui uma carência afetiva enorme e uma baixa auto-estima que a todo o momento procura preencher através das pessoas. Mas sempre quando ela tenta ser ela mesma expressando seus sentimentos, ou tentando se libertar do vinculo simbiótico de sua mãe, está usa chantagem emocional ameaçando retirar seu amor, e novamente Daniela recua sentindo muita culpa e medo de perda o amor da mãe ficando angustiada e depressiva. É como uma armadilha que ela sabe como funciona mas lhe falta forças para romper.

Segundo Bolen (1990), três categorias de homens são atraídas pela mulher tipo Perséfone: homens que são tão jovens e inexperientes que ela; homens malandros, atraídos pela sua inocência e fragilidade; e homens que não se sentem confortáveis com mulheres amadurecidas. O relacionamento com um homem pode ser o meio através do qual a mulher tipo Perséfone se separa de uma mãe dominadora. Assim ela fica como um objeto a ser possuído, numa luta pelo poder entre um homem e sua mãe.

Ela adapta aos desejos do namorado agradando sempre cordialmente, se fazendo de bonita, usando as roupas que ele aprova. Após dois anos de namoro com um homem 15 anos mais velho, ela ainda não sabe se o ama, ou esta com ele apenas porque ele gosta dela, e sente medo de ficar sozinha e desamparada.

Daniela como toda mulher tipo Perséfone é suscetível à depressão quando dominada e limitada por pessoas que a mantém amarradas a elas. Uma pessoa insegura reprime sua raiva, guardando seus sentimentos negativos e torna-se deprimida a raiva voltada para dentro. Sua personalidade reservada se retrai mais ainda sua passividade torna-se ainda maior e suas emoções tornam-se inacessíveis, é como observar uma flor murchar.

A depressão segundo Von Franz (1992), é o retorno da raiva inconsciente do ego sobre si mesmo ou sobre sua imagem projetada. A raiva projetada, não conscientizada, quando não é expressa, volta-se sobre a própria pessoa. A característica básica da depressão é a perda de interesse pelo mundo externo e a falta de objetividade na vida. Isto porque o depressivo promove um acréscimo de energia psíquica a seus processos internos em detrimento da vida relacional, isto é, a energia psíquica, que deveria estar a serviço da consciência, fica aprisionada no inconsciente. Essa regressão da energia acentua os sentimentos perturbadores associados ao complexo em questão, dominando a vontade consciente e impedindo qualquer ação contrária às suas tendências. Isto promove, muitas vezes, atitudes que fazem o depressivo voltar-se contra pessoas com as quais possui intensa relação afetiva.

Ela teve um sonho onde sua amiga de infância estava muito deprimida, definhando, e que logo faleceu. Daniela estava no velório de sua amiga que tinha morrido, e de repente sua amiga que estava deitada no caixão morta se levantou e estava totalmente nua, e começou a gritar e a xingar muito, dizendo palavrões dos mais baixos escalões, com um rosto demoníaco. Muitas pessoas que estavam no velório saiam assustadas e temerosas. Ela ficou envergonhada, assustada e impressionada com a atitude da amiga, principalmente com o rosto maquiavélico expressando ódio e muita raiva.

Os sonhos podem trazer a parte da sombra que deve ser conscientizada. Segundo Von Franz, (1992), É um processo que exigirá coragem e prudência, freqüentemente estamos a sonhar com aspectos desconhecidos ou negados de nossa personalidade. Nos sonhos, geralmente, surge tudo aquilo que normalmente criticamos nos outros, como parte de nossa personalidade. Aqueles defeitos dos quais nos envergonhamos de ter, tais como: inveja, ciúme, cobiça, ambição, irritabilidade, etc., aparecem nos sonhos de forma freqüente tendo em vista sua importância no processo de individuação. Atuando como elemento catalizador de transformações, os sonhos irão revelar, com muita freqüência, os aspectos a desenvolver na vida do sonhador. Muito freqüentemente nossa sombra estará presente em aspectos que normalmente atribuímos aos amigos, parentes, colegas de trabalho, que nos surgem como figuras oníricas.

domingo, 26 de setembro de 2010

Personalidade Obsessivo Compulsivo/Perfeccionista


A característica essencial do Personalidade Obsessivo-Compulsiva é uma preocupação com organização, perfeccionismo e controle mental e interpessoal, às custas da flexibilidade, abertura e eficiência. Este padrão começa no início da idade adulta.

Os indivíduos com Personalidade Obsessivo-Compulsiva tentam manter um sentimento de controle através de uma atenção extenuante a regras, detalhes triviais, procedimentos, listas, horários ou formalidades, chegando a perder o ponto mais importante da atividade. Eles são excessivamente cuidadosos e propensos à repetição, dando extraordinária atenção a detalhes e verificando repetidamente, em busca de possíveis erros.

Estas pessoas não percebem que os outros tendem a ficar muito aborrecidos com os atrasos e inconveniências que resultam de seu comportamento.

Por exemplo, quando extraviam uma lista de coisas a fazer, passam um período de tempo incomum procurando-a, ao invés de dispenderem alguns momentos recriando-a de memória e seguirem com a realização das tarefas. O seu tempo é mal distribuído, sendo as tarefas mais importantes deixadas para a última hora.

O perfeccionismo e os altos padrões auto-impostos de desempenho causam disfunção e sofrimento significativos nesses indivíduos, que podem envolver-se tanto na tarefa de tornar cada detalhe de um projeto absolutamente perfeito, a ponto de jamais terminá-lo.

Por exemplo, a redação de um relatório é atrasada por numerosas revisões demoradas que jamais estão "perfeitas". Prazos são perdidos, e os aspectos da vida do indivíduo que não são o foco de atividade atual podem ser deixados de lado.

Os indivíduos com Personalidade Obsessivo-Compulsiva demonstram excessiva dedicação ao trabalho e à qualidade, chegando à exclusão de atividades de lazer e amizades. Este comportamento não é explicado por necessidades econômicas.

Eles freqüentemente julgam que não têm tempo para tirar uma noite ou um fim-de-semana de folga para sair ou simplesmente relaxar. Eles podem adiar indefinidamente uma atividade recreativa, como as férias, de modo que esta pode jamais ocorrer.

Quando chegam a fazê-lo, sentem muito desconforto, a menos que tenham levado consigo algo em que trabalhar, de modo a não "perderem tempo". Pode haver muita concentração em tarefas domésticas (por ex., limpeza excessiva e repetida, de modo que "se poderia comer do chão").

Quando passam algum tempo com amigos, isto tende a ocorrer em alguma atividade formalmente organizada (por ex., um evento esportivo). Passatempos ou atividades recreativas são abordados como tarefas sérias, que exigem meticulosa organização e trabalho árduo.

A ênfase está em um desempenho perfeito. Estes indivíduos transformam brincadeiras em uma tarefa estruturada (por ex., corrigir um bebê por não encaixar argolas em um pino na ordem correta; ensinar uma criança pequena a andar em linha reta em seu triciclo; transformar um jogo de futebol em uma penosa "aula").

Os indivíduos com Personalidade Obsessivo-Compulsiva/Perfeccionista podem ser excessivamente conscienciosos, escrupulosos e inflexíveis acerca de questões relativas à moralidade, ética ou valores. Eles podem forçar a si mesmos e a outros a seguirem princípios morais rígidos e padrões muito estritos de desempenho. Essas pessoas também podem ser implacáveis na autocrítica dos próprios erros.

Os indivíduos com este transtorno têm um respeito rígido para com autoridades e regras e insistem em uma obediência ao pé da letra, sem qualquer flexibilidade de regras sob circunstâncias atenuantes. Um indivíduo, por exemplo, pode não emprestar uma ficha para um amigo que necessita utilizar o telefone público, porque "deve-se aprender a andar com as próprias pernas" ou porque isto seria "mau" para o caráter dessa pessoa. Essas qualidades não devem ser explicadas pela identificação cultural ou religiosa do indivíduo.

Os indivíduos com este transtorno podem ser incapazes de jogar fora objetos usados ou inúteis, mesmo quando não possuem valor sentimental, freqüentemente admitindo ser "guardadores de entulho".

Eles consideram um desperdício desfazer-se de coisas porque "nunca se sabe quando algo pode ser útil" e ficam aborrecidos se alguém tenta se livrar das coisas que guardaram. Seus companheiros ou colegas podem queixar-se da quantidade de espaço tomado por velharias, revistas, aparelhos quebrados e assim por diante.

Os indivíduos com Personalidade Obsessivo-Compulsiva são avessos a delegar tarefas ou a trabalhar com outras pessoas. Eles insistem, de maneira teimosa e irracional, que tudo seja feito à sua maneira e que as pessoas se amoldem a seu jeito de fazer as coisas.

Estas pessoas freqüentemente dão instruções muito detalhadas acerca de como tudo deve ser feito (por ex., existe um, e somente um, modo de aparar o gramado, lavar os pratos, construir uma casinha de cachorro) e ficam surpresas e irritadas se outros sugerem alternativas criativas.

Em outros momentos, podem rejeitar ofertas de auxílio, mesmo quando estão com prazos vencidos, por acreditarem que ninguém mais poderá fazer as coisas corretamente.

Os indivíduos com este transtorno podem ser miseráveis e mesquinhos e manter um padrão de vida bem abaixo daquele que seria possível, acreditando que os gastos devem ser rigidamente controlados, a fim de se precaverem de futuras catástrofes.

Os indivíduos com Personalidade Obsessivo-Compulsiva/Perfeccionista caracterizam-se por rigidez e teimosia. Eles preocupam-se tanto acerca de que as coisas sejam feitas do modo "correto", que têm dificuldade em concordar com as idéias de qualquer outra pessoa.

Esses indivíduos fazem planos minuciosamente detalhados e são avessos a mudanças. Totalmente envoltos em sua própria perspectiva, eles têm dificuldade em ceder aos pontos-de-vista de outros.

Amigos e colegas podem frustrar-se com sua constante rigidez. Ainda que os indivíduos com Personalidade Obsessivo-Compulsiva reconheçam que seria melhor para eles próprios se aceitassem opiniões, eles podem recusar-se teimosamente a fazê-lo, argumentando que se trata do "espírito da coisa".

Características.
Quando as regras e procedimentos estabelecidos não ditam a resposta correta, a tomada de decisões pode tornar-se um processo demorado e freqüentemente árduo. Os indivíduos com Personalidade Obsessivo-Compulsiva podem ter tamanha dificuldade em decidir que tarefas assumem prioridade ou qual é o melhor meio de realizar determinada tarefa, que podem jamais sequer iniciar qualquer coisa.

Eles tendem a ficar desconcertados ou irados em situações nas quais não conseguem manter o controle de seu ambiente físico ou interpessoal, embora a raiva tipicamente não seja expressa de maneira direta. Uma pessoa, por exemplo, pode ficar zangada com o mau atendimento em um restaurante, mas ao invés de se queixar à gerência, rumina acerca da quantia a ser dada como gorjeta.

Em outras ocasiões, a raiva pode ser expressa por indignação acerca de algo aparentemente sem importância. As pessoas com este transtorno podem dar especial atenção à sua posição nos relacionamentos de domínio-submissão, podendo demonstrar excessiva deferência a uma autoridade que respeitam e excessiva resistência à autoridade que não respeitam.

Os indivíduos com este transtorno em geral expressam afeição de uma forma altamente controlada ou contida e podem sentir grande desconforto na presença de outros com maior expressão emocional. Seus relacionamentos cotidianos têm uma qualidade formal e séria, podendo mostrar-se rígidos em situações nas quais outras pessoas sorririam e se mostrariam alegres (por ex., ao receber uma pessoa querida no aeroporto).

Eles têm o cuidado de se conterem até estarem certos de que o que disserem estará perfeito. Estas pessoas podem preocupar-se com a lógica e o intelecto, e mostrar-se intolerantes para com o comportamento afetivo dos outros. Muitas vezes têm dificuldade em expressar sentimentos de ternura, raramente fazendo elogios.

Os indivíduos com este transtorno podem experimentar sofrimento e dificuldades no trabalho, particularmente quando se defrontam com novas situações que exigem flexibilidade e colaboração.

Apesar das semelhança de nomes, o Transtorno Obsessivo-Compulsivo em geral é facilmente distinguido do Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva pela presença de verdadeiras obsessões e compulsões.

Um diagnóstico de Transtorno Obsessivo-Compulsivo deve ser considerado especialmente quando o hábito de armazenar é extremo (por ex., pilhas de objetos inúteis que representam perigo de incêndio e dificultam a passagem). Quando são satisfeitos os critérios para ambos os transtornos, os dois diagnósticos devem ser registrados.

Personalidade Obsessivo-Compulsiva adotam um estilo miserável em relação aos gastos consigo mesmos e com outros.

Diagnósticos para Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva
Um padrão invasivo de preocupação com organização, perfeccionismo e controle mental e interpessoal, às custas da flexibilidade, abertura e eficiência, que começa no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos, indicado por pelo menos quatro dos seguintes critérios:

(1) preocupação tão extensa, com detalhes, regras, listas, ordem, organização ou horários, que o ponto principal da atividade é perdido
(2) perfeccionismo que interfere na conclusão de tarefas (por ex., é incapaz de completar um projeto porque não consegue atingir seus próprios padrões demasiadamente rígidos)
(3) devotamento excessivo ao trabalho e à produtividade, em detrimento de atividades de lazer e amizades (não explicado por uma óbvia necessidade econômica)
(4) excessiva conscienciosidade, escrúpulos e inflexibilidade em assuntos de moralidade, ética ou valores (não explicados por identificação cultural ou religiosa)
(5) incapacidade de desfazer-se de objetos usados ou inúteis, mesmo quando não têm valor sentimental
(6) relutância em delegar tarefas ou ao trabalho em conjunto com outras pessoas, a menos que estas se submetam a seu modo exato de fazer as coisas
(7) adoção de um estilo miserável quanto a gastos pessoais e com outras pessoas; o dinheiro é visto como algo que deve ser reservado para catástrofes futuras
(8) rigidez e teimosia

TOC - Transtorno Obsessivo-Compulsivo. Campinas

As características essenciais do TOC- Transtorno Obsessivo-Compulsivo são obsessões ou compulsões recorrentes suficientemente severas para consumirem tempo (isto é, consomem mais de uma hora por dia) ou causar sofrimento acentuado ou prejuízo significativo.

Em algum ponto durante o curso do transtorno, o indivíduo reconheceu que as obsessões ou compulsões são excessivas ou irracionais.

As obsessões são idéias, pensamentos, impulsos ou imagens persistentes, que são vivenciados como intrusivos e inadequados e causam acentuada ansiedade ou sofrimento. A qualidade intrusiva e inadequada das obsessões é chamada de "ego-distônica".

O termo refere-se ao sentimento do indivíduo de que o conteúdo da obsessão é estranho, não está dentro de seu próprio controle nem é a espécie de pensamento que ele esperaria ter. Entretanto, ele é capaz de reconhecer que as obsessões são produto de sua própria mente e não impostas a partir do exterior (como na inserção de pensamento).

As obsessões mais comuns são pensamentos repetidos acerca de contaminação (por ex., ser contaminado em apertos de mãos), dúvidas repetidas (por ex., imaginar se foram executados certos atos, tais como ter machucado alguém em um acidente de trânsito ou ter deixado uma porta destrancada), uma necessidade de organizar as coisas em determinada ordem (por ex., intenso sofrimento quando os objetos estão desordenados ou assimétricos), impulsos agressivos ou horrorizastes (por ex., de machucar o próprio filho ou gritar uma obscenidade na igreja) e imagens sexuais (por ex., uma imagem pornográfica recorrente).

Os pensamentos, impulsos ou imagens não são meras preocupações excessivas acerca de problemas da vida real (por ex., preocupação com dificuldades atuais, como problemas financeiros, profissionais ou escolares) e não tendem a estar relacionados a um problema da vida real.

O indivíduo com obsessões em geral tenta ignorar ou suprimir esses pensamentos ou impulsos ou neutralizá-los com algum outro pensamento ou ação (isto é, uma compulsão). Um indivíduo assaltado por dúvidas acerca de ter desligado o gás do fogão, por exemplo, procura neutralizá-las verificando repetidamente para assegurar-se de que o fogão está desligado.

As compulsões são comportamentos repetitivos (por ex., lavar as mãos, ordenar, verificar) ou atos mentais (por ex., orar, contar, repetir palavras em silêncio) cujo objetivo é prevenir ou reduzir a ansiedade ou sofrimento, ao invés de oferecer prazer ou gratificação.

Na maioria dos casos, a pessoa sente-se compelida a executar a compulsão para reduzir o sofrimento que acompanha uma obsessão ou para evitar algum evento ou situação temida. Por exemplo: os indivíduos com obsessões de contaminação podem reduzir seu sofrimento mental lavando as mãos a ponto de irritarem a pele; os indivíduos afligidos por obsessões de terem deixado uma porta destrancada podem ser levados a verificar repetidamente a fechadura, em intervalos de minutos; indivíduos afligidos por pensamentos blasfemos e indesejados podem encontrar alívio contando até 10 em ordem crescente e decrescente, 100 vezes por cada pensamento.

Em alguns casos, os indivíduos realizam atos rígidos ou estereotipados de acordo com regras idiossincraticamente elaboradas, sem serem capazes de indicar por que os estão executando. Por definição, as compulsões ou são claramente excessivas, ou não têm conexão realista com o que visam a neutralizar ou evitar. As compulsões mais comuns envolvem lavar e limpar, contar, verificar, solicitar ou exigir garantias, repetir ações e colocar objetos em ordem.

Por definição, os adultos com Transtorno Obsessivo-Compulsivo-TOC reconheceram, em algum ponto, que as obsessões ou compulsões são excessivas ou irracionais. Esta exigência não se aplica a criança, pois lhes falta consciência cognitiva suficiente para tal discernimento. Entretanto, mesmo em adultos, existe uma ampla faixa de insight quanto à racionalidade das obsessões e compulsões. Alguns indivíduos não têm certeza quanto à racionalidade de suas obsessões ou compulsões, podendo o insight de um determinado indivíduo variar em diferentes momentos e situações. Por exemplo, a pessoa pode reconhecer que uma compulsão de contaminação é irracional ao discuti-la em uma "situação segura" (por ex., no consultório do terapeuta), mas não quando forçada a manusear dinheiro.

Nos momentos em que o indivíduo reconhece que as obsessões e compulsões são irrealistas, ele pode desejar ou tentar resistir a elas. Ao fazê-lo, pode ter a sensação de crescente ansiedade ou tensão freqüentemente aliviada cedendo à compulsão. No curso do transtorno, depois de repetidos fracassos em resistir às obsessões ou compulsões, o indivíduo pode ceder a elas, não mais experimentar um desejo de resistir e incorporá-las em suas rotinas diárias.

As obsessões ou compulsões devem causar acentuado sofrimento, consumir tempo (mais de 1 hora por dia) ou interferir significativamente na rotina normal, funcionamento ocupacional, atividades sociais habituais ou relacionamentos do indivíduo.

As obsessões ou compulsões podem substituir um comportamento útil e gratificante e perturbar em muito o funcionamento geral.

Uma vez que intrusões obsessivas podem provocar distração, elas freqüentemente resultam em desempenho ineficiente em tarefas cognitivas que exigem concentração, tais como leitura situações que provocam obsessões ou compulsões. Esta esquiva pode tornar-se extensiva e restringir severamente o funcionamento geral.

Características
Características descritivas e transtornos mentais associados. Freqüentemente, existe esquiva de situações que envolvam o conteúdo das obsessões, tais como sujeira ou contaminação. Por exemplo, uma pessoa com obsessões envolvendo sujeira pode evitar banheiros públicos ou cumprimentar a estranhos.

Preocupações hipocondríacas são comuns, com repetidas consultas a médicos em busca de garantias. Culpa, um sentimento patológico de responsabilidade e perturbações do sono pode estar presente. Pode haver uso excessivo de álcool ou medicamentos sedativos, hipnóticos ou ansiolíticos.

A execução das compulsões pode tornar-se uma importante atividade na vida da pessoa, levando a séria deficiência no relacionamento conjugal, ocupacional ou social. A esquiva generalizada pode confinar o indivíduo ao lar.

Características Específicas à Cultura.
O comportamento ritual prescrito pela cultura não indica, em si mesmo, um Transtorno Obsessivo-Compulsivo, a menos que exceda as normas culturais, ocorra em momentos e locais considerados impróprios por outros indivíduos da mesma cultura e interfira no funcionamento social. Importantes transições vitais e o luto podem levar a uma intensificação do comportamento ritualístico, podendo parecer uma obsessão ao clínico não familiarizado com o contexto cultural.

As apresentações do Transtorno Obsessivo-Compulsivo em crianças geralmente são similares àquelas da idade adulta. Lavagens, verificação e rituais de organização são particularmente comuns em crianças. As crianças em geral não solicitam ajuda, e os sintomas podem não ser ego-distônicos.

Com maior freqüência, o problema é identificado pelos pais, que levam a criança a tratamento. Declínios graduais no rendimento escolar, secundários ao prejuízo da capacidade de concentração, têm sido relatados. Como os adultos, as crianças tendem mais a envolver-se em rituais em casa do que na frente de seus pares, de professores ou estranhos.
Este transtorno é igualmente comum nos dois sexos.

Curso
Embora o Transtorno Obsessivo-Compulsivo em geral inicie na adolescência ou começo da idade adulta, ele pode aparecer na infância. A idade modal de início é mais precoce para os homens, a saber, entre os 6 e os 15 anos para os homens e entre os 20 e os 29 anos para as mulheres.

Com maior freqüência, o início é gradual, mas um início agudo é observado em alguns casos. A maioria dos indivíduos tem um curso crônico de vaivém dos sintomas, com exacerbações possivelmente relacionadas ao estresse. Cerca de 15% apresentam deterioração progressiva no funcionamento profissional e social. Cerca de 5% têm um curso episódico, com sintomas mínimos ou ausentes entre os episódios.


O Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva não se caracteriza pela presença de obsessões ou compulsões, sendo que, ao invés disso, envolve um padrão invasivo de preocupação com organização, perfeccionismo e controle e deve iniciar-se nos primeiros anos da idade adulta. Se um indivíduo manifesta sintomas tanto de Transtorno Obsessivo-Compulsivo quanto de Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva, ambos os diagnósticos podem ser dados.

As superstições e os comportamentos repetitivos de verificação são encontrados com freqüência na vida cotidiana. Um diagnóstico de Transtorno Obsessivo-Compulsivo deve ser considerado apenas se houver um consumo de tempo considerável ou se decorrer daí um prejuízo ou sofrimento clinicamente significativos.

Diagnósticos para TOC- Transtorno Obsessivo-Compulsivo
A. Obsessões ou compulsões:
(1) pensamentos, impulsos ou imagens recorrentes e persistentes que, em algum momento durante a perturbação, são experimentados como intrusivos e inadequados e causam acentuada ansiedade ou sofrimento
(2) os pensamentos, impulsos ou imagens não são meras preocupações excessivas com problemas da vida real
(3) a pessoa tenta ignorar ou suprimir tais pensamentos, impulsos ou imagens, ou neutralizá-los com algum outro pensamento ou ação
(4) a pessoa reconhece que os pensamentos, impulsos ou imagens obsessivas são produto de sua própria mente (não impostos a partir de fora, como na inserção de pensamentos)

Compulsões

(1) comportamentos repetitivos (por ex., lavar as mãos, organizar, verificar) ou atos mentais (por ex., orar, contar ou repetir palavras em silêncio) que a pessoa se sente compelida a executar em resposta a uma obsessão ou de acordo com regras que devem ser rigidamente aplicadas.
(2) os comportamentos ou atos mentais visam a prevenir ou reduzir o sofrimento ou evitar algum evento ou situação temida; entretanto, esses comportamentos ou atos mentais não têm uma conexão realista com o que visam a neutralizar ou evitar ou são claramente excessivos.



sábado, 25 de setembro de 2010

Depressão. Campinas

Tratamento da Depressão em Campinas.
Reações de depressão. O quadro de sintomas nas reações de depressão é fundamentalmente, o oposto ao encontrado em reações maníacas. Também existem diferentes graus.
Na depressão simples, os sintomas notáveis são os seguintes: perda de entusiasmo e redução geral de atividade física e mental. O paciente sente-se abatido e desanimado. O trabalho e outras atividades exigem esforço, parecem não merecer tal cuidado. Os sentimentos de desvalia, fracasso, pecado e culpa dominam seus lentos processos de pensamentos. Sua perda de interesse pelas coisas que o cercam atinge a alimentação e usualmente se reflete em perca de peso e dificuldade de digestão. A conversa é realizada de modo monótono, e as perguntas são respondidas em poucas palavras. De modo geral, o paciente prefere sentar-se sozinho, considerar os seus pecados e não vê esperança no futuro. A preocupação com o suicídio é comum, e pode haver tentativas de suicídio real.
Apesar do retardamento mental e motor, no entanto, o paciente não mostra uma perda real de consciência ou desorientação afetiva. Sua memória não é atingida e é capaz de responder, de maneira bem satisfatória, desde que tenha tempo para isso. Muitos pacientes têm certa compreensão de sua condição e reconhecem que precisam de tratamento, embora possam não admitir que estejam deprimidos, mas, ao contrario, acentuem varas doenças físicas; por exemplo, dor de cabeça, fadiga, perda de apetite e insônia. No entanto, nas reações de depressão o paciente geralmente insiste que suas doenças e outras dificuldades constituem castigo por vários erros e pecados cometidos anteriormente.
Nas reações de depressão aguda, aumenta o retardamento físico e mental. O paciente se torna cada vez mais inativo, tende a isolar-se dos outros, não fala espontaneamente e é extremamente lento em suas respostas. O sentimento de culpa e desvalia torna-se mais acentuados e o paciente tende a acusar-se. Pode considerar-se responsável por pragas, enchentes ou crises econômicas, e insistir que cometeu todos os tipos de pecados horríveis e que estes trarão infelicidade a todos.
Os delírios podem caracterizar-se por hipocondria e, acordo que essa disposição mórbida, o paciente pode acreditar que seu cérebro esta sendo destruído, que seus órgãos internos “se petrificam aos poucos”, ou que seus intestinos estão completamente inertes. Geralmente culpa, por essas doenças, praticas sexuais anteriores ou outros pecados que prejudicaram sua saúde e pelos quais agora está sendo castigado.
O prognostico que o paciente apresenta para si mesmo é muito desfavorável. Não vê esperança pra seu caso. Os remédios são inúteis, e só pode prever um fim terrível. As vezes aparecem sentimentos de irrealidade e leves alucinações, sobretudo com relação a idéias de pecado, culpa e doença. As idéias persistentes de suicídio tem grande importância, e o paciente pode mostrar grande capacidade inventiva e grande astúcia ao fugir de vigilantes e conseguir terminar o seu sofrimento.
No grau mais severo de retardamento e depressão, o paciente se torna quase que inteiramente inativo e incapaz de responder ao ambiente. Usualmente fica na cama, inteiramente indiferente ao que ocorre perto dele. Recusa-se a falar, a comer; é preciso alimentá-lo através de um tubo e é preciso cuidar de sua higiene pessoal. Existe marcante confusão quanto a tempo, lugar e pessoa, existem alucinações e delírios muitos nítidos, sobretudo os que incluem fantasias grotescas a respeito de pecado, morte e renascimento. Durante esse período ele sofre de prisão de ventre e deficiência na saúde física geral. 
Tratamento da Depressão em Campinas, utilizo psicoterapia, hipnose e terapia da regresão.