Quem sou eu

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Campinas, São Paulo, Brazil
Psicólogo Clínico Junguiano com formação pela Unicamp, terapia corporal Reichiana, Hipnoterapeuta com formação em Hipnose Ericksoniana com Stephen Gilligan.E outras formações com Ericksonianos: Ernest Rossi, Teresa Robles, Betty Alice Erickson. Formação em Constelação Familiar Sistémica pelo Instituto de Filosofia Prática da Alemanha. Uma rica e inovadora terapia divulgada em toda Europa. Professor de Hipnoterapia, além de ministrar cursos de Auto-conhecimento como Eneagrama da Personalidade e Workshop de Constelação Familiar Sistémica em todo o Brasil. Clínica em Campinas-SP. Rua Pilar do Sul, 173 Chácara da Barra. Campinas-SP F.(19) 997153536

Uma relação de ajuda

Como é bela, intensa e libertadora é a experiência de se aprender a ajudar o outro. É impossível descrever-se a necessidade imensa que têm as pessoas de serem realmente ouvidas, levadas a sério, compreendidas.
A psicologia de nossos dias nos tem, cada vez mais, chamado a atenção para esse aspecto. Bem no cerne de toda psicoterapia permanece esse tipo de relacionamento em que alguém pode falar tudo a seu próprio respeito, como uma criança fala tudo "a sua mãe.
Ninguém pode se desenvolver livremente nesse mundo, sem encontrar uma vida plena, pelo menos...
Aquele que se quiser perceber com clareza deve se abrir a um confidente, escolhido livremente e merecedor de tal confiança.
Ouça todas a conversas desse mundo, tanto entre nações quanto entre casais. São, na maior parte, diálogos entre surdos.
Paul Tournier.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Perdas e julgamentos.


Havia numa aldeia um velho pobre, mas até reis o invejavam, pois ele tinha um lindo cavalo branco. Reis ofereciam quantias fabulosas pelo animal, mas o homem dizia:
- Senhor, este cavalo não é um cavalo a ser usado por mim, pois é uma pessoa. E como pode se vender uma pessoa, um amigo?
O homem era pobre, porém, jamais o vendeu.
Numa dada manhã, descobriu que o cavalo não estava na cocheira. A aldeia inteira se reuniu e as pessoas disseram:
- Seu velho estúpido! Sabíamos que um dia o cavalo seria roubado.
Teria sido melhor vendê-lo. Que desgraça!
O velho respondeu:
- Não cheguem a tanto. Simplesmente digam que o cavalo não está mais na cocheira.
Este é o fato. O resto é julgamento! Se é uma desgraça ou uma benção, não sei, pois este é apenas um fragmento. Quem pode saber o que vai ser?
As pessoas riram do velho. Elas sempre souberam que ele era um pouco maluco.
Quinze dias depois, numa noite, o cavalo voltou. Ele não havia sido roubado, tinha fugido para a floresta.
E não apenas isso: trouxe consigo uma dúzia de cavalos selvagens.
O povo da aldeia então disse ao velho:
- Você estava certo. Não se tratava de uma desgraça; na verdade, provou ser uma benção.
O velho falou:
- Novamente vocês estão se adiantando. Apenas digam que o cavalo está de volta.
Se é uma benção ou não, quem sabe? Esta é apenas um fragmento. Ao ler uma única palavra de uma sentença, como vocês podem julgar todo o livro?
Desta vez as pessoas não podiam dizer muito, mas anteriormente pensaram que ele estava errado. Afinal, lindos cavalos tinham vindo. O velho tinha um único filho que começou a
treinar os cavalos selvagens.
Apenas uma semana depois, ele caiu de um cavalo e fraturou as pernas, novamente as pessoas se reuniram e julgaram, elas disseram:
- Você tinha razão novamente, foi uma desgraça. Seu único filho perdeu o uso das pernas e na sua velhice ele seria seu único amparo. Agora você está mais pobre do que nunca.
O velho disse:
- Vocês estão obcecados por julgamentos. Não se adiantem tanto. Digam apenas que meu filho fraturou as pernas. Ninguém sabe se isso é uma desgraça ou uma benção.
A vida vem em fragmentos. Mais que isso nunca é dado.
Aconteceu que, depois de algumas semanas, o país entrou numa guerra e todos os jovens da aldeia foram forçados a se alistar. Somente o filho do velho foi deixado para traz, pois era aleijado. a cidade inteira chorava, lamentando-se, porque sabiam que era uma luta perdida e que a maior parte dos jovens jamais voltaria.
Elas vieram até o velho e disseram:
- Você tinha razão velho. Aquilo se revelou uma benção. Seu filho pode estar aleijado, mas ainda está com você. Nossos filhos se foram para sempre.
O velho disse:
- Vocês continuam julgando. Ninguém sabe!
Digam apenas que seus filhos foram forçados a entrar para o exército e que o meu não foi.
Somente Deus, a totalidade, sabe se isso é uma benção ou uma desgraça.
Não julgue, pois jamais se tornará um com a totalidade. Você ficará obcecado com fragmentos e tirará conclusões a partir de coisas pequenas. Quando você julga, deixa de crescer. Julgamento significa um estado mental estagnado. E a mente sempre deseja julgar, pois estar em progresso é sempre arriscado e desconfortável. Na verdade, a jornada nunca chega ao fim. Um caminho termina, outro começa; uma porta se fecha, outra se abre. Você atinge um cume e surge outro mais alto, Deus é uma jornada sem fim. Somente os tão corajosos a ponto de não se importarem com a meta, e que se contentam com a jornada e com simplesmente viver o momento e nele crescer, somente esses são capazes de caminhar com a totalidade.
(história da China nos dias de Lao-Tsé).

domingo, 26 de junho de 2011

O urso faminto


Certa vez, um urso faminto perambulava pela floresta em busca de alimento. A época era de escassez, porém, seu faro aguçado sentiu o cheiro de comida e o conduziu a um acampamento de caçadores. Ao chegar lá, o urso, percebendo que o acampamento estava vazio, foi até a fogueira, ardendo em brasas, e dela tirou um panelão de comida. Quando a tina já estava fora da fogueira, o urso a abraçou com toda sua força e enfiou a cabeça dentro dela, devorando tudo. Enquanto abraçava a panela, começou a perceber algo lhe atingindo.
Na verdade, era o calor da tina… Ele estava sendo queimado nas patas, no peito e por onde mais a panela encostava. O urso nunca havia experimentado aquela sensação e, então, interpretou as queimaduras pelo seu corpo como uma coisa que queria lhe tirar a comida.
Começou a urrar muito alto. E, quanto mais alto rugia, mais apertava a panela quente contra seu imenso corpo. Quanto mais a tina quente lhe queimava, mais ele apertava contra o seu corpo e mais alto ainda rugia.
Quando os caçadores chegaram ao acampamento, encontraram o urso recostado a uma árvore próxima à fogueira, segurando a tina de comida. O urso tinha tantas queimaduras que o fizeram grudar na panela e, seu imenso corpo, mesmo morto, ainda mantinha a expressão de estar rugindo. Quando terminei de ouvir esta história de um mestre, percebi que, em nossa vida, por muitas vezes, abraçamos certas coisas que julgamos ser importantes.
Algumas delas nos fazem gemer de dor, nos queimam por fora e por dentro, e mesmo assim, ainda as julgamos importantes. Temos medo de abandoná-las e esse medo nos coloca numa situação de sofrimento, de desespero.
Apertamos essas coisas contra nossos corações e terminamos derrotados por algo que tanto protegemos, acreditamos e defendemos. Para que tudo dê certo em sua vida, é necessário reconhecer, em certos momentos, que nem sempre o que parece salvação vai lhe dar condições de prosseguir. Tenha a coragem e a visão que o urso não teve.
Tire de seu caminho tudo aquilo que faz seu coração arder. Solte a panela!

domingo, 19 de junho de 2011

O mestre da paciência


Conta a lenda que um velho sábio, tido como mestre da paciência, era capaz de derrotar qualquer adversário.
Certa tarde, um homem conhecido por sua total falta de escrúpulos apareceu com a intenção de desafiar o mestre da paciência. O velho aceitou o desafio e o homem começou a insultá-lo. Chegou a jogar algumas pedras em sua direção, cuspiu em sua direção e gritou todos os tipos de insultos.
Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu impassível.
No final da tarde, sentindo-se já exausto e humilhado, o homem se deu por vencido e retirou-se. Impressionados, os alunos perguntaram ao mestre como ele pudera suportar tanta indignidade.
O mestre perguntou:
- Se alguém chega até você com um presente, e você não o aceita, a quem pertence o presente?
- A quem tentou entregá-lo. Respondeu um dos discípulos.
- O mesmo vale p/ a inveja, a raiva e os insultos. Quando não aceitos, continuam pertencendo a quem os carregava consigo.
A sua paz interior depende exclusivamente de você.
As pessoas não podem lhe tirar a calma…..a não ser que você permita!!!!!!

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Perdoar é libertar-se


Se alguém lhe atirasse uma pedra, o que você faria com ela?
Você a juntaria e guardaria para atirar no seu agressor em momento oportuno ou a jogaria fora?
Trataria dos ferimentos e esqueceria a pedra no lugar em que ela caiu?
Se você respondeu que a guardaria para devolver em momento oportuno, então pense em como essa pedra irá atrapalhá-lo durante a caminhada.
Vamos supor que você a guarde no bolso da camisa, onde fique bem fácil pegá-la quando for preciso.
Agora imagine como essa pedra lhe causará bastante desconforto.
- Primeiro porque será um peso morto a lhe dificultar a caminhada lhe exigindo maior esforço para mantê-la no lugar.
- Segundo porque cada vez que você for abraçar alguém, ambos sentirão aquele objeto estranho a machucar o peito.
- Terceiro porque se você ganhar uma flor, por exemplo, não poderá colocá-la no bolso já que ele estará ocupado com aquele peso inútil.
- Em quarto lugar, o seu agressor poderá desaparecer da sua vida e você nunca mais voltar a encontrá-lo e, nesse caso, terá carregado a pedra inutilmente.
Fazendo agora uma comparação com uma ofensa qualquer que você venha a receber, podemos seguir o mesmo raciocínio.
Se você guardar a ofensa para revidar em momento oportuno, pense em como será um peso inútil a sobrecarregar você.
Pense em quanto tempo perderá mentalizando o seu agressor e imaginando planos para vingar-se.
Pondere quantas vezes você deixará de sorrir para alguém pensando em como devolverá a ofensa.
E se você insistir em alimentar a idéia de revide, com o passar do tempo se tornará uma pessoa amarga e infeliz, pois esse ácido guardado em sua intimidade apagará o seu brilho e a sua vitalidade.
Mas se você pensa diferente e quando recebe uma pedrada, trata dos ferimentos e joga a pedra fora, perceberá que essa é uma decisão inteligente, pois agirá da mesma forma quando receber outra ofensa qualquer.
Quem desculpa seu agressor é verdadeiramente uma pessoa livre, pois perdoar é libertar-se.
Ademais, quem procura a vingança se iguala ao seu agressor e perde toda razão mesmo que esteja certo.
Somente pode considerar-se diferente quem age de forma diferente e não aquele que deseja fazer justiça com as próprias mãos.
Em casos de agressões que mereçam providências, devemos buscar o apoio da justiça e deixar a cargo desta os devidos recursos.
Todavia, vale ressaltar que perdoar não é apenas esquecer temporariamente as ofensas, é limpar o coração de qualquer sentimento de vingança ou de mágoa.
Pense nisso!
A pedra bruta perdoa as mãos que a ferem, transformando-se em estátua valiosa.
O grão de trigo perdoa o agricultor que o atira ao solo, multiplicando-se em muitos grãos que, esmagados, enriquecem a mesa.
O ferro deixa-se dobrar sob altas temperaturas e perdoa os que o modelam, construindo segurança e conforto.
Perdoar, portanto, é impositivo para toda hora e todo instante, pois o perdão verdadeiro é como uma luz arremessada na direção da vida e que voltará sempre à fonte de onde saiu.
Autor desconhecido

sexta-feira, 20 de maio de 2011

O judeu e a vaca.


Indicação: Piorando para melhorar
Todos os dias, da manhã até o cair da noite, Jacob Simen não fazia outra coisa senão maldizer a sorte ingrata. Blasfemava contra o destino que o forçava a viver naquela insuportável e torturante penúria. A casa em que morava era pequena, incômoda e sem conforto: não dispunha senão de dois quartos para os pequenos e de uma sala minúscula com duas janelas, onde mal podia receber, nos dias de festa, meia dúzia de amigos e vizinhos.
A paciente Sorele não concordava com as queixas e revoltas do marido. A vida para eles não era, por certo, invejável. Lá isso não era! Podia, porém, ser pior, muito pior…
- “Pior do que isso, mulher, nunca”!, clamava Jacob, arrepelando-se, irritado.
- “Repara na apertura e no desconforto em que vivemos! Não cabemos nesta casa e não vejo como nem quando será possível arranjar outra melhor”.
Um dia, afinal, a cidade foi visitada por um sábio famoso que o povo apelidara Baal Schem.
Sorele sugeriu, cheia de confiança, ao esposo:
- “Por que não vais ouvir o velho Baal Schem? Dizem que ele tem feito espantosos milagres. Possivelmente poderá auxiliar-nos”.
Tal lembrança parecia traduzir uma providência fácil, acertada e feliz. Nesse mesmo dia, Jacob Simon foi ter à presença do santo rabi e desafiou o rosário interminável de suas queixas e misérias: que vivia num casebre triste e miserável e seu maior sonho era possuir uma casa ampla e espaçosa.
- “Meu filho”, ponderou o sábio, cheio de paciência e bondade, “posso, realmente, com a valiosa proteção dos guias invisíveis, realizarem prodigioso milagre em teu benefício. Serei capaz de transformar a tua casa, pobre e acanhada, em um lugar amplo, claro e confortável. Para tanto torna-se indispensável que pronuncies, agora mesmo, um juramento: vais ter que jurar, pelo nome sagrado de Moisés, e pela memória de todos os profetas, que seguirás fielmente todas as minhas determinações”.
- “Juro”!, Declarou Jacob com voz firme e inabalável sinceridade.
- “Muito bem. Agora uma pergunta: Tens uma vaca, não é verdade”?
- “Sim, com efeito. Tenho uma vaca”.
- “Leva, então, hoje mesmo, a vaca pra dentro da tua casa”!
- “A vaca para dentro de casa”!?
- “Senhor! Na casa em que moro mal cabem os meus filhos. Onde colocarei a vaca”?
- “Lembra-te, amigo, de teu juramento! Põe a vaca dentro de casa”.
Não houve remédio. Era preciso obedecer cegamente ao milagroso conselheiro. Aquela vaca, sob o teto de seu lar representava uma tortura constante. O monstruoso animal quebrava, destruía e sujava tudo. Para que os vizinhos não envolvessem o caso com os impiedosos comentários ditados pelo ridículo, a delicada Solere conservava as janelas e portas cuidadosamente fechadas durante o dia.
Decorridos três dias, voltou Jacob, a alma vencida pelo desespero, à presença do Baal Schem.
Era preciso pôr termo, o mais depressa possível, àquela situação torturante!
- “Tens uma cabra”? Indagou o sacerdote, à meia voz.
- “Sim”.
- “Leva também a cabra para dentro de tua casa”! Ordenou, sem hesitar, o prudente rabi.
A nova determinação do milagroso guia deixou Jacob sucumbido pelo desalento. A vaca, por si só, tornava a vida, dentro da casa, insuportável. A cabra e a vaca, juntas seriam umas calamidades! Que horror!
Antes de terminar a primeira semana, Jacob receando que o desespero o levasse à loucura, voltou a implorar o auxílio do santo e virtuoso conselheiro. Sentia-se esgotado; na sua casa não havia mais sossego; as crianças sofriam. Ele preferia morrer a continuar a viver daquela maneira miserável e anti-humana.
Disse, então, o santo milagroso:
- “Retira, então hoje a cabra. Amanhã, logo que o sol nascer, farás a mesma coisa com a vaca. Procederás, a seguir, a uma cuidadosa limpeza em tua casa, arrumando os móveis como se achavam. Ao cair da tarde irei visitar-te para ver realizado o milagre”!
No dia seguinte, o sábio encontrou o judeu risonho e satisfeito. Sentia-se perfeitamente feliz em companhia da meiga Solere e de seus quatro filhos.
- “Que tal”?, Indagou Baal Schem.
- “Eis a verdade, ó Rabi! Livre da vaca e livre também da cabra, a nossa casa é uma delícia! Sinto-me bem dentro dela. Já podemos respirar e viver! Há até lugar de sobra para as crianças”!
Estava feito o prodigioso milagre.
Baal Schem transformara, numa casa ampla e confortável, o mísero casebre do judeu!
Conto israelita citado em “Lendas do povo de Deus”, de Malba Tahan.

terça-feira, 10 de maio de 2011

O homem que teve que cuidar da casa.


Indicação: Questionando o papel masculino
Era uma vez um homem muito rabugento e mal-humorado, que nunca achava certo nada que a mulher fizesse em casa. Uma tarde, na época de secar o feno, ele chegou em casa reclamando que o jantar não estava pronto, o bebê estava chorando e a vaca não tinha sido recolhida ao estábulo.
- “Eu trabalho o dia inteiro”, ele resmungou. “Você fica só aqui cuidando da casa. Bem que eu queria essa moleza para mim. Eu ia aprontar o jantar na hora, palavra.”
- “Amorzinho querido, não fique zangado”, disse a mulher. “Amanhã vamos trocar nossos trabalhos. Eu saio com os ceifeiros, corto feno, e você fica aqui, cuidado da casa”.
O marido achou que daria certíssimo.
- “É, eu ganho um dia livre”, ele disse, “faço todos os seus afazeres em uma hora ou duas e durmo o resto da tarde inteira”.
Assim, na manhã seguinte, bem cedo, a mulher pendurou a foice no ombro e partiu com os ceifeiros. O marido ficou incumbido de fazer todo o trabalho doméstico.
Em primeiro lugar, lavou umas roupas e começou a bater a manteiga. Mas depois de bater um pouquinho, lembrou que tinha que pendurar as roupas para secar. Saiu para o quintal e mal tinha acabado de estender suas camisas quando viu o porco correndo para dentro da cozinha.
Voou para a cozinha para tratar do porco, temendo que estragasse a manteiga. Mas logo que entrou, viu o porco derrubando a batedeira. Lá estava ele, grunhindo e chafurdando o creme, que escorria pelo chão da cozinha inteira. O homem ficou tão louco da vida que esqueceu das camisas no varal e partiu para cima do porco.
Conseguiu agarra-lo, ms o porco estava tão lambuzado de manteiga, que lhe escapuliu dos braços e saiu porta afora. O homem correu para o quintal, decidido a pegar o porco de qualquer jeito, mas estacou apavorado quando viu o bode, parado bem debaixo do varal e mascando as camisas. Então o homem espantou o bode, trancou o porco e tirou do varal o que sobrara das camisas.
Em seguida foi à leiteira, pegou creme bastante para encher de novo a batedeira e recomeçou a bater, pois tinham que ter manteiga para o jantar. Quando já tinha batido um pouco, lembrou que a vaca ainda estava fechada no estábulo sem ter comido nem bebido nada a manhã toda; e o sol já estava alto.
Matutando que o pasto ficava muito longe para levar a vaca até lá, decidiu coloca-la em cima da casa, pois o telhado, como se sabe, era coberto de capim. A casa ficava perto de um morro íngreme e ele achou que, estendendo uma tábua larga da lateral do morro até o telhado, levaria facilmente a vaca para cima.
Mas não podia abandonar a batedeira, pois lá vinha o bebê engatinhando pela casa.
- “Se eu deixar a batedeira”, ele pensou, “a criança com certeza vai estragar tudo”.
Assim, ajeitou a batedeira às costas e saiu carregando-a. Ai, pensou que era melhor dar água à vaca antes de levá-la para o telhado e pegou um balde para tirar água do poço. Porém, quando se debruçou na borda do poço, o creme escorreu para fora da batedeira, por cima dos ombros, pelas costas e caiu todo no poço.
Agora já estava quase na hora do jantar e ele nem ao menos tinha feito a manteiga! Então, logo que colocou a vaca no telhado, achou melhor ferver o mingau. Encheu o caldeirão de água e pendurou-o sobre o fogo.
Quando acabou, imaginou que a vaca pudesse cair do telhado e quebrar o pescoço. Então subiu na casa para prendê-la. Amarrou uma ponta da corda no pescoço da vaca e a outra ele passou pelo buraco da chaminé. Voltou para dentro da casa e amarrou a ponta da corda na cintura. Tinha que se apressar, pois a água começava a ferver no caldeirão e ele ainda tinha que moer a aveia.
Começou a moer bem rápido! Mas quando estava bem empenhado., a vaca acabou caindo do telhado e na queda arrastou o homem pela chaminé, suspenso pela corda! Ele ficou entalado, bem apertado. E a vaca ficou balançando ao lado da casa, entre o céu e a terra, sem conseguir nem subir nem descer.
Enquanto isso a mulher lá no campo, estava esperando o marido chamá-la para jantar. Por fim, achou que já tinha esperado demais e foi para casa.
Quando chegou e viu a vaca pendurada tão insolitamente, correu para cima e cortou a corda com a foice. Mas logo que cortou, o marido despencou da chaminé!
- “Que bom que você voltou”, disse, depois que ela o pescou. “Preciso lhe dizer uma coisa”.
Então ele pediu desculpas, beijou-a e nunca mais reclamou de nada.
Lenda escandinava cotada em “O Livro das Virtudes”. Uma antologia de Wiliam J. Bennett

O feiticeiro


Um feiticeiro africano conduz seu aprendiz pela floresta. Embora mais velho, caminha com agilidade, enquanto seu aprendiz escorrega e cai a todo instante.
O aprendiz blasfema, levanta-se, cospe no chão traiçoeiro, e continua a acompanhar seu mestre.
Depois de longa caminhada, chegam a um lugar sagrado. Sem parar, o feiticeiro dá meia volta e começa a viagem de volta.
- Você não me ensinou nada hoje — diz o aprendiz, levando mais um tombo.
- Ensinei sim, mas você parece que não aprende — responde o feiticeiro. — Estou tentando lhe ensinar como se lida com os erros da vida.
- E como lidar com eles?
- Como deveria lidar com seus tombos – responde o feiticeiro. – Em vez de ficar amaldiçoando o lugar onde caiu, devia procurar aquilo que te fez escorregar.
Autor desconhecido