"Parece-me que, antes de começarmos a viagem em busca da realidade, em busca de Deus, antes de agirmos ou podermos ter qualquer relação uns com os outros (...), é essencial que comecemos por compreender-nos a nós mesmos." krishnamurti
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Quem sou eu
- José Carlos Vilhena
- Campinas, São Paulo, Brazil
- Psicólogo Clínico Junguiano com formação pela Unicamp, terapia corporal Reichiana, Hipnoterapeuta com formação em Hipnose Ericksoniana com Stephen Gilligan.E outras formações com Ericksonianos: Ernest Rossi, Teresa Robles, Betty Alice Erickson. Formação em Constelação Familiar Sistémica pelo Instituto de Filosofia Prática da Alemanha. Uma rica e inovadora terapia divulgada em toda Europa. Professor de Hipnoterapia, além de ministrar cursos de Auto-conhecimento como Eneagrama da Personalidade e Workshop de Constelação Familiar Sistémica em todo o Brasil. Clínica em Campinas-SP. Rua Pilar do Sul, 173 Chácara da Barra. Campinas-SP F.(19) 997153536
Uma relação de ajuda
A psicologia de nossos dias nos tem, cada vez mais, chamado a atenção para esse aspecto. Bem no cerne de toda psicoterapia permanece esse tipo de relacionamento em que alguém pode falar tudo a seu próprio respeito, como uma criança fala tudo "a sua mãe.
Ninguém pode se desenvolver livremente nesse mundo, sem encontrar uma vida plena, pelo menos...
Aquele que se quiser perceber com clareza deve se abrir a um confidente, escolhido livremente e merecedor de tal confiança.
Ouça todas a conversas desse mundo, tanto entre nações quanto entre casais. São, na maior parte, diálogos entre surdos.
Paul Tournier.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Ártemis.
A virgem Ártemis nasceu na ilha de Ortigia (Delos), um dia antes de seu irmão. O seu nome parece provir do adjectivo grego artémès que significa: de boa saúde. Após o seu nascimento, ela pediu como presente, a seu pai, Zeus, uma armadura completa de caçadora e este encarregou Hefesto de lhe forjar um arco em ouro. A partir de então, ela começou a acompanhar Apolo nas suas expedições, estando presente quando ele matou a serpente Píton e seguindo-o depois no seu exílio na Tessália.
Mais tarde, quando Apolo regressou a Delfos, Ártemis preferiu dirigir-se para a selvagem Arcádia, uma zona montanhosa, rica em caça e com numerosas fontes, que permitiam um banho reparador depois da fadiga de uma caçada. A deusa era acompanhada por um cortejo de ninfas, que a ajudavam a cuidar dos seus cães, partilhando também dos seus divertimentos e prazeres.
Curiosamente, ela tinha excluído o amor da sua vida, mantendo-se virgem e casta, e obrigando as suas companheiras a seguirem o seu exemplo. Se uma delas traísse este voto, ainda que involuntariamente – como aconteceu com Calisto, seduzida por Zeus – seria castigada. E se algum indiscreto violasse o segredo da sua intimidade, Ártemis não hesitaria em puni-lo de modo exemplar. Ora isto aconteceu exactamente com Actéon, filho de Aristeu que, no decurso de uma batalha, surpreendeu a deusa quando esta se banhava, completamente nua, numa fonte. Extasiado, Actéon prolongou a sua contemplação e a deusa imediatamente o castigou, transformando-o num veado que, depois, foi devorado pelos seus próprios cães.
Mas será que Ártemis nunca terá sentido o fogo da paixão? Parece que a deusa se terá impressionado com a beleza do caçador gigante Oríon, filho de Posídon. No entanto, este não sobreviveu a este fogo insólito. Não sabemos se foi Apolo que interferiu, a fim de proteger a sua irmã do seu desejo traiçoeiro (conta-se que ele a desafiou para atingir com as suas flechas um objecto que aparecia de longe a longe, no meio das águas.
A deusa aceitou o desafio e trespassou, involuntariamente, a cabeça de Oríon, que nadava no alto mar) ou como se afirma noutra tradição, se foi a própria Ártemis a provocar a morte do gigante quando, após uma caçada que faziam em conjunto, na ilha de Quios, este esboçou um gesto arrebatado de desejo. Imediatamente a deusa (recordando o seu voto de castidade) fez surgir da terra um escorpião que picou o imprudente. Ártemis ficou tão reconhecida ao animal que preservara a sua virtude, que o imortalizou, fazendo dele uma constelação. Entretanto, Oríon também lucrou com a metamorfose, pois foi enviado para junto das estrelas.
Ártemis era uma deusa que não perdoava aos mortais uma falta de respeito ou um atentado ao seu domínio, castigando-os cruelmente quando estes a ofendiam. Foi o que aconteceu com Agamémnon. Com efeito, o “rei dos reis” não receou matar um veado num bosque consagrado à deusa. Mas quando esta soube, impediu os ventos de soprarem, impossibilitando assim a partida da frota grega para Tróia. E em seguida participou a Agamémnon que só mandaria regressar os ventos se ele sacrificasse em seu louvor a sua filha Ifigénia. Mas entretanto, desta vez, a deusa demonstrou alguma piedade pela vítima inocente que transformou na sacerdotisa do seu santuário de Táurida.
Os atributos de Artemis Tal como Apolo, a deusa da Lua era dotada de atributos variados e contraditórios. Por um lado, manifestava qualidades simpáticas e benéficas: dirigia o coro das Musas, proferia oráculos, dava bons conselhos, curava as doenças ou as feridas, protegia as águas termais e as viagens, em terra e no mar, e ainda velava pelos animais domésticos e pelos campos. Mas, simultaneamente, Ártemis era a deusa da caça, aterrorizando, portanto, os animais selvagens. Esta era a sua faceta cruel e, por vezes, mesmo bárbara. Com efeito, a deusa divertia-se a oprimir os mortais, a desencadear epidemias ou a provocar a morte violenta, merecendo bem o cognome de Apolussa, a Destruidora.
Os Romanos identificaram Ártemis com a deusa itálica Diana, em cujo nome se reconhece a raiz di, que evoca a lúz. A segunda-feira era o seu dia, o dia da Lua (cf. o inglês monday e o alemão montag).
Mas a Diana de Éfeso não tem, praticamente, nenhuma relação com a casta Ártemis dos Gregos. O seu nome deriva, assim, da semelhança que existe entre a maior parte dos atributos das suas deusas. Na realidade, a deusa de Éfeso é uma deusa-mãe, por excelência, deusa da natureza e, consequentemente, deusa lunar, caçadora, protectora dos mares e das cidades. Os habitantes de Foceia, que colonizaram Marselha, colocaram-se sob a sua protecção.
Ártemis (Diana) é comummente representada na Antiguidade e em várias outras épocas (pelos escultores J. Goulon, G. Pilon, Houdon; pelos pintores F. Clouet, Ticiano, Le Corrège, Véronèse, A. Carrache, Rubens, Le Dominiquin, Vermeer, Watteau, Boucher, etc.) como uma jovem robusta e de rosto severo (opondo-se assim à beleza alegre e provocante de Afrodite); aparece vestida com uma túnica arregaçada, que lhe deixa as pernas livres para correr, e é acompanhada de uma corça ou de um cão (o cão da caça ou o cão que ladra à Lua). Umas vezes surge munida de um arco e de um carcás, outras de um archote. Usa geralmente o crescente lunar como diadema. A representação de Ártemis de Éfeso é completamente diferente. A deusa surge-nos coberta com uma túnica comprida, decorada com diversos animais, as mãos abertas num gesto ritual, e ostentando uma multiplicidade de seios, símbolo evidente de fecundidade.
A sombra
A sombra é o centro do inconsciente pessoal, o núcleo do material que foi reprimido da consciência. A sombra inclui aquelas tendências, desejos, memórias e experiências que são rejeitadas pelo indivíduo como incompatíveis com a persona e contrárias aos padrões e idéias sociais.
Quanto mais forte for nossa persona, e quanto mais identificarmos com ela, mais repudiaremos outras partes de nós mesmos. A sombra representa aquilo que consideramos inferior em nossa personalidade e também aquilo que negligenciamos e nunca desenvolvemos em nós mesmos. Em sonhos, a sombra frequentemente aparece como um animal, um anão, um vagabundo ou qualquer outra figura de categoria mais baixa.
Em seu trabalho sobre repressão e neurose, freud concentrou-se de início, naquilo que Jung chama de sombra. Jung descobriu que o material reprimido se organiza e se estrutura ao redor da sombra, que se torna, em certo sentido, um self negativo, a sombra do ego. A sombra é via de regra vivida em sonhos como uma figura escura, primitiva, hostil ou repelente, porque seus conteúdos foram violentamente retirados da consciência e aparecem como antagônicos à perspectiva consciente. Se o material da sombra for trazido à consciência, ele perde muito de sua natureza amedrontadora e escura.
A sombra é mais perigosa quando não é reconhecida. Neste caso, o indivíduo tende a projetar suas qualidades indesejáveis nas outras pessoas ou a deixar-se dominar pela sombra sem o perceber, isto é ele é tomado por ela. Quanto mais o material da sombra tornar-se consciente, menos ele pode dominar. Entretanto, a sombra é uma parte integral de nossa natureza e nunca pode ser simplesmente eliminada. Uma pessoa sem sombra não é um indivíduo completo, mas uma caricatura bidimensional que rejeita a mescla do bom e do mal e a ambivalência presente em todos nós.
Cada porção reprimida da sombra representa uma parte de nós mesmos. Nós nos limitamos na mesma proporção que mantemos este material inconsciente.
À medida que a sombra se faz mais consciente, recuperamos partes de nós mesmos previamente reprimidos. Além disso, a sombra não é apenas uma força negativa na psique. Ela é um depósito de considerável energia instintiva, espontaneidade e vitalidade, e é a fonte principal de nossa criatividade. Assim como todos os arquétipos, a sombra origina-se no inconsciente coletivo e pode permitir acesso individual a grande parte do valioso material inconsciente que é rejeitado pelo ego e pela persona.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Narcisista. Campinas
A característica essencial da Personalidade Narcisista é um padrão invasivo de grandiosidade, necessidade de admiração e falta de empatia, que começa no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos.Os indivíduos com este transtorno têm um sentimento grandioso de sua própria importância. Eles rotineiramente superestimam suas capacidades e exageram suas realizações, freqüentemente parecendo presunçosos ou arrogantes. Eles podem presumir que os outros atribuem o mesmo valor a seus esforços e surpreender-se quando não recebem o louvor que esperam e julgam merecer. Um menosprezo (desvalorização) da contribuição dos outros freqüentemente está implícito na apreciação exagerada de suas próprias realizações.
Essas pessoas constantemente se preocupam com fantasias de sucesso ilimitado, poder, inteligência, beleza ou amor ideal. Elas podem ruminar acerca de uma admiração e privilégios a que teriam direito e comparar a si mesmos com vantagem sobre pessoas famosas e privilegiadas.
Um indivíduo com Personalidade Narcisista se acredita superior, especial ou único e espera ser reconhecido pelos outros como tal. Ele pode achar que somente consegue ser compreendido e apenas deve associar-se com outras pessoas especiais ou de situação elevada, podendo atribuir qualidades de "singularidade", "perfeição" ou "talento" àqueles a quem se associa.
Os indivíduos com este transtorno acreditam ter necessidades especiais, que estão além do entendimento das pessoas comuns. Sua própria auto-estima é amplificada (isto é, "espelhada") pelo valor idealizado que atribuem àqueles a quem se associam.
Eles tendem a insistir em ser atendidos apenas pelos "melhores" (médicos, advogados, instrutores, cabeleireiros) ou em afiliar-se às "melhores" instituições, mas podem desvalorizar as credenciais daqueles que os desapontam.
Os indivíduos com este transtorno geralmente exigem admiração excessiva. Sua auto-estima é quase que invariavelmente muito frágil. Eles podem preocupar-se com o modo como estão se saindo e no quanto são considerados pelos outros. Isto freqüentemente assume a forma de uma necessidade de constante atenção e admiração. Eles podem esperar que sua chegada seja recepcionada com grande alarde e ficar perplexos pelo fato de os outros não cobiçarem tudo o que possuem. Eles podem "caçar" elogios constantemente, por vezes de maneira muito cativante.
Um sentimento de intitulação manifesta-se na expectativa irracional destes indivíduos de receber tratamento especial. Eles esperam ser adulados e ficam desconcertados ou furiosos quando isto não ocorre. Eles podem, por exemplo, pensar que não precisam esperar na fila e que suas prioridades são tão importantes que os outros lhes deveriam mostrar deferência, e ficam irritados quando os outros deixam de auxiliar em "seu trabalho muito importante".
Este sentimento de intitulação, combinado com uma falta de sensibilidade para com os desejos e necessidades alheias, pode resultar na exploração consciente ou involuntária dos outros.
Essas pessoas esperam que lhes seja dado o que desejam ou julgam precisar, não importando o que isto possa significar para os outros. Por exemplo, esses indivíduos podem esperar grande dedicação da parte dos outros e sobrecarregá-los de trabalho sem levar em conta o impacto que isto possa ter sobre suas vidas.
Eles tendem a formar amizades ou relacionamentos românticos somente se vislumbrarem a possibilidade de que a outra pessoa vá ao encontro de seus objetivos ou de outro modo aumente sua auto-estima. Eles freqüentemente usurpam privilégios especiais e recursos extras, que julgam merecer por serem tão especiais.
Os indivíduos com Personalidade Narcisista em geral carecem de empatia e têm dificuldade em reconhecer os desejos, experiências subjetivas e sentimentos dos outros. Eles podem presumir que os outros se preocupam integralmente com seu bem-estar, e tendem a discutir suas próprias preocupações em detalhes inadequados e extensos, deixando de reconhecer que os outros também têm sentimentos e necessidades.
Estes indivíduos freqüentemente desprezam e se impacientam com outras pessoas que falam de seus próprios problemas e preocupações. Eles podem não perceber a mágoa causada por seus comentários (por ex., dizer alegremente a um ex-companheiro: "Agora encontrei o amor de minha vida!"; alardear saúde diante de alguém que está enfermo).
Quando reconhecem as necessidades, desejos ou sentimentos alheios tendem a vê-los como sinais de fraqueza ou vulnerabilidade. Aqueles que se relacionam com indivíduos com Personalidade Narcisista tipicamente descobrem neles uma frieza emocional e falta de interesse mútuo.
Estes indivíduos freqüentemente invejam os outros ou acreditam que os outros têm inveja deles.
Eles podem guardar rancor pelos sucessos ou posses dos outros, achando que seriam mais merecedores destas realizações, admiração ou privilégios. Eles podem desvalorizar rudemente as contribuições dos outros, particularmente quando estes receberam reconhecimento ou elogios por suas realizações.
Comportamentos arrogantes e insolentes caracterizam estes indivíduos. Eles freqüentemente exibem atitudes esnobes, desdenhosas ou condescendentes.
Por exemplo, um indivíduo com este transtorno pode queixar-se da "estupidez" ou "babaquice" de um garçom desajeitado ou concluir um exame médico avaliando o clínico de modo condescendente.
A vulnerabilidade da auto-estima torna os indivíduos com Transtorno da Personalidade Narcisista muito sensíveis a "mágoas" por críticas ou derrotas. Embora possam não demonstrar abertamente, as críticas podem assolar esses indivíduos e levá-los a se sentirem humilhados, degradados e vazios.
Sua reação pode ser de desdém, raiva ou contra-ataque afrontoso. Essas experiências freqüentemente levam a um retraimento social ou a uma aparência de humildade que pode mascarar e proteger a grandiosidade. As relações interpessoais tipicamente são comprometidas pelos problemas resultantes do sentimento de intitulação, da necessidade de admiração e do relativo desrespeito à sensibilidade alheia.
Embora a ambição e a confiança ufanista possam levar as altas realizações, o desempenho pode ser perturbado em virtude da intolerância a críticas ou derrotas. Às vezes o desempenho profissional pode ser muito baixo, refletindo uma relutância para assumir riscos em situações competitivas ou de outra espécie, nas quais a derrota é possível. Sentimentos persistentes de vergonha ou humilhação e a autocrítica pertinente podem estar associados com retraimento social, humor deprimido e Depressivo Maior ou Distímico.
Critérios Diagnósticos para Personalidade Narcisista
Um padrão invasivo de grandiosidade (em fantasia ou comportamento), necessidade de admiração e falta de empatia, que começa no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos, indicado por pelo menos cinco dos seguintes critérios:
(1) sentimento grandioso da própria importância (por ex., exagera realizações e talentos, espera ser reconhecido como superior sem realizações comensuráveis)
(2) preocupação com fantasias de ilimitado sucesso, poder, inteligência, beleza ou amor ideal
(3) crença de ser "especial" e único e de que somente pode ser compreendido ou deve associar-se a outras pessoas (ou instituições) especiais ou de condição elevada
(4) exigência de admiração excessiva
(5) sentimento de intitulação, ou seja, possui expectativas irracionais de receber um tratamento especialmente favorável ou obediência automática às suas expectativas
(6) é explorador em relacionamentos interpessoais, isto é, tira vantagem de outros para atingir seus próprios objetivos
(7) ausência de empatia: reluta em reconhecer ou identificar-se com os sentimentos e necessidades alheias
(8) freqüentemente sente inveja de outras pessoas ou acredita ser alvo da inveja alheia
(9) comportamentos e atitudes arrogantes e insolentes
Histérica, emocional, sedutora, dramática, carente. Campinas

A característica essencial da Personalidade Histriônica consiste de um padrão invasivo de emocionalidade excessiva e comportamento de busca de atenção, que começa no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos.
Os indivíduos com Personalidade Histriônica sentem-se desconfortáveis ou desconsiderados quando não são o centro das atenções. Freqüentemente animados e dramáticos, tendem a chamar a atenção sobre si mesmos e podem, de início, encantar as pessoas com quem travam conhecimento por seu entusiasmo, aparente franqueza ou capacidade de sedução.
Tais qualidades, contudo, perdem sua força à medida que esses indivíduos continuamente exigem ser o centro das atenções. Eles requisitam o papel de "dono da festa". Quando não são o centro das atenções, podem fazer algo dramático (por ex., inventar estórias, fazer uma cena) para chamar a atenção.
Esta necessidade freqüentemente se manifesta em seu comportamento diante do clínico (por ex., adular, trazer presentes, oferecer descrições dramáticas de sintomas físicos e psicológicos que a cada consulta são substituídos por sintomas novos).
A aparência e o comportamento dos indivíduos com este transtorno com freqüência são, de maneira inadequada, sexualmente provocantes ou sedutores. Este comportamento é dirigido não apenas às pessoas pelas quais o indivíduo demonstra um interesse sexual ou romântico, mas ocorre em uma ampla variedade de relacionamentos sociais, ocupacionais e profissionais, além do que seria adequado para o contexto social.
A expressão emocional pode ser superficial e apresentar rápidas mudanças. Os indivíduos com este transtorno usam consistentemente sua aparência física para chamar a atenção.
Eles empenham-se excessivamente em impressionar os outros com sua aparência e despendem tempo, energia e dinheiro excessivos para se vestir e se arrumar. Eles podem "caçar elogios" pela sua aparência e se aborrecer com facilidade e em demasia por algum comentário crítico acerca de como estão ou por uma fotografia na qual, em sua opinião, não saíram bem.
Esses indivíduos têm um estilo de discurso excessivamente impressionista e carente de detalhes. Fortes convicções em geral são expressadas com talento dramático, porém com um embasamento vago e difuso, sem fatos e detalhes corroborantes. Por exemplo, um indivíduo com Personalidade Histriônica pode comentar que determinado indivíduo é uma pessoa maravilhosa, porém ser incapaz de oferecer quaisquer exemplos específicos de boas qualidades que confirmem sua opinião.
Os indivíduos com este transtorno caracterizam-se por autodramatização, teatralidade e expressão emocional exagerada. Eles podem embaraçar amigos e conhecidos por uma excessiva exibição pública de emoções (por ex., abraçar conhecidos casuais com um ardor exagerado, soluçar incontrolavelmente em ocasiões sentimentais de pouca importância, ou ter ataques de fúria).
Entretanto, suas emoções com freqüência dão a impressão de serem ligadas e desligadas com demasiada rapidez para serem profundamente sentidas, o que pode levar a acusações de que estão fingindo.
Os indivíduos com Personalidade Histriônica têm um alto grau de sugestionabilidade .
Suas opiniões e sentimentos são facilmente influenciados pelos outros e por tendências do momento. Eles podem ser confiantes demais, especialmente em relação a fortes figuras de autoridade, a quem vêem como capazes de oferecer soluções mágicas para seus problemas. Eles apresentam uma tendência a curvar-se a intuições ou adotar convicções prontamente.
Os indivíduos com este transtorno muitas vezes consideram os relacionamentos mais íntimos do que são de fato, descrevendo praticamente qualquer pessoa recém conhecida como "meu querido, meu amigo" ou chamando um médico visto apenas uma ou duas vezes sob circunstâncias profissionais por seu prenome. Devaneios românticos são comuns.
Os indivíduos com Personalidade Histriônica podem ter dificuldade em adquirirem intimidade emocional em relacionamentos românticos ou sexuais. Eles com freqüência representam um papel (por ex., "vítima" ou "princesa") em seus relacionamentos, sem se dar conta disto. Eles podem, em um nível, tentar controlar seu parceiro através da manipulação emocional ou sedução, enquanto exibem acentuada dependência em outro nível.
Os indivíduos com este transtorno muitas vezes têm relacionamentos deficientes com amigos do mesmo sexo, porque seu estilo interpessoal sexualmente provocante pode parecer uma ameaça aos relacionamentos dos amigos.
Esses indivíduos também podem afastar os amigos com suas exigências de constante atenção. Eles freqüentemente ficam deprimidos e aborrecidos quando não são o centro das atenções. Eles podem ser ávidos por novidades, estimulação e excitação e ter uma tendência a entediar-se com sua rotina habitual.
Estes indivíduos em geral manifestam intolerância ou frustração por situações que envolvem um adiamento da gratificação, sendo que suas ações freqüentemente são voltadas à obtenção de satisfação imediata.
Embora muitas vezes iniciem um trabalho ou projeto com grande entusiasmo, seu interesse pode desaparecer rapidamente. Os relacionamentos a longo prazo podem ser deixados de lado para dar lugar a relacionamentos novos e excitantes.
As normas de comportamento interpessoal, aparência pessoal e expressão emocional variam amplamente entre as culturas, gêneros e grupos etários. Antes que os vários traços (por ex., emocionalidade, sedução, estilo interpessoal dramático, busca de novidades, sociabilidade, encanto, impressionabilidade e tendência à somatização) possam ser considerados evidências de um Transtorno da Personalidade Histriônica, é importante determinar se eles causam prejuízo ou sofrimento clinicamente significativo.
A expressão comportamental do Transtorno da Personalidade Histriônica pode ser influenciada pelos estereótipos do papel sexual. Por exemplo, um homem com este transtorno pode vestir-se e comportar-se de um modo freqüentemente identificado como "machão", procurando ser o centro das atenções e alardeando habilidades atléticas, ao passo que uma mulher, por exemplo, pode escolher roupas muito femininas e falar acerca do quanto impressionou seu instrutor de dança.
Os indivíduos com Personalidade Anti-Social e da Personalidade Histriônica compartilham uma tendência à impulsividade, superficialidade, busca de excitação, imprudência, sedução e manipulação, porém na Personalidade Histriônica existe uma maior tendência ao exagero das emoções e a não se envolver, caracteristicamente, em comportamentos anti-sociais.
Os indivíduos com Personalidade Histriônica são manipuladores para obter afeto, ao passo que na Personalidade Anti-Social a manipulação ocorre para obter vantagens financeiras, poder ou alguma outra forma de gratificação material. Embora os indivíduos com Personalidade Narcisista também sejam ávidos pela atenção dos outros, eles comumente desejam obter louvores por sua "superioridade", ao passo que o indivíduo com Personalidade Histriônica presta-se a ser visto como frágil ou dependente, se isto for de utilidade para obter atenção.
Os indivíduos com Personalidade Narcisista podem exagerar a intimidade de seus relacionamentos, mas estão mais propensos a enfatizar a condição "VIP" ou de riqueza de seus amigos. Na Personalidade Dependente, a pessoa é excessivamente dependente dos elogios e orientação dos outros, mas não apresenta as características exuberantes, exageradas e emotivas da Personalidade Histriônica.
Critérios Diagnósticos para Personalidade Histriônica
Um padrão invasivo de excessiva emocionalidade e busca de atenção, que começa no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos, como indicado por cinco (ou mais) dos seguintes critérios:
(1) sente desconforto em situações nas quais não é o centro das atenções
(2) a interação com os outros freqüentemente se caracteriza por um comportamento inadequado, sexualmente provocante ou sedutor
(3) exibe mudança rápida e superficialidade na expressão das emoções
(4) usa consistentemente a aparência física para chamar a atenção sobre si próprio
(5) tem um estilo de discurso excessivamente impressionista e carente de detalhes
(6) exibe autodramatização, teatralidade e expressão emocional exagerada
(7) é sugestionável, ou seja, é facilmente influenciado pelos outros ou pelas circunstâncias
(8) considera os relacionamentos mais íntimos do que realmente são.
Dependente, inseguro, carente, submisso, timidez, passivo, sem iniciativa. Campinas
A característica essencial da Personalidade Dependente é uma necessidade invasiva e excessiva de ser cuidado, que leva a um comportamento submisso e aderente e ao medo da separação.Este padrão começa no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos. Os comportamentos dependentes e submissos visam a obter atenção e cuidados e surgem de uma percepção de si mesmo como incapaz de funcionar adequadamente sem o auxílio de outras pessoas.
Os indivíduos com Personalidade Dependente têm grande dificuldade em tomar decisões corriqueiras (por ex., que cor de camisa usar para ir ao trabalho ou se devem levar o guarda-chuva) sem uma quantidade excessiva de conselhos e reasseguramento da parte dos outros.
Esses indivíduos tendem a ser passivos e a permitir que outras pessoas (freqüentemente uma única pessoa) tomem iniciativas e assumam a responsabilidade pela maioria das áreas importantes de suas vidas. Os adultos com este transtorno tipicamente dependem de um dos pais ou do cônjuge para decidir onde devem viver, que tipo de trabalho devem ter e com que vizinhos devem fazer amizade.
Os adolescentes com o transtorno podem permitir que seus pais decidam o que devem vestir, com quem devem sair, como devem passar seu tempo livre e que faculdade devem cursar. Esta necessidade de que os outros assumam a responsabilidade extrapola os pedidos de auxílio adequados à idade e à situação (por ex., as necessidades específicas de crianças, pessoas idosas e pessoas deficientes).
O Transtorno da Personalidade Dependente pode ocorrer em um indivíduo que possui uma séria condição médica geral ou deficiência, mas nestes casos a dificuldade em assumir responsabilidades deve ir além daquela que normalmente estaria associada a esta condição ou deficiência.
Como temem perder o apoio ou aprovação, os indivíduos com Personalidade Dependente muitas vezes têm dificuldade em expressar discordância de outras pessoas, especialmente aquelas das quais dependem.
Esses indivíduos sentem-se tão incapazes de funcionar sozinhos que preferem concordar com coisas que consideram erradas, a se arriscarem à perda da ajuda daqueles em quem buscam orientação. Eles não ficam zangados quando seria adequado com as pessoas cujo apoio e atenção necessitam, por medo de afastá-las.
Se as preocupações do indivíduo relativas às conseqüências de expressar discordância são realistas (por ex., temores realistas de retribuição de um cônjuge abusivo), o comportamento não deve ser considerado uma evidência de Personalidade Dependente.
Os indivíduos com este transtorno têm dificuldade em iniciar projetos ou fazer coisas de maneira independente. Eles carecem de autoconfiança e acreditam que precisam de auxílio para iniciar e realizar suas tarefas.
Eles esperam que os outros "dêem a partida", por acreditarem que, via de regra, os outros sabem fazer melhor. Estes indivíduos têm a convicção de serem incapazes de funcionar de modo independente e se apresentam como ineptos e carentes de constante auxílio. Entretanto, tendem a funcionar adequadamente quando recebem a garantia de que receberão supervisão e aprovação de outra pessoa.
Eles podem ter medo de parecer ou de tornar-se mais competentes, por acreditar que isto levará ao abandono. Uma vez que confiam nos outros para a solução de seus problemas, freqüentemente não aprendem as habilidades de uma vida independente, desta forma perpetuando a dependência.
Os indivíduos com Personalidade Dependente podem ir a extremos para obterem carinho e apoio, chegando ao ponto de se oferecerem para realizar tarefas desagradáveis, se este comportamento for capaz de trazer-lhes os cuidados de que necessitam.
Eles dispõem-se a fazer as vontades dos outros, mesmo que as exigências sejam irracionais. Sua necessidade de manter um vínculo emocional importante freqüentemente resulta em relacionamentos desequilibrados ou distorcidos.
Eles podem fazer sacrifícios extraordinários ou tolerar abuso verbal, físico ou sexual (cabe notar que este comportamento deve ser considerado evidência de Personalidade Dependente apenas quando for claramente estabelecido que o indivíduo não dispõem de outras opções).
Os indivíduos com este transtorno sentem desconforto ou desamparo quando estão sozinhos, pelo medo exagerado de serem incapazes de cuidar de si próprios. Eles podem "ficar colados" em outras pessoas importantes em suas vidas apenas para não ficar sozinhos, mesmo que não tenham interesse ou envolvimento no que está acontecendo.
Quando um relacionamento significativo termina (por ex., rompimento de um namoro; morte de um dos pais), os indivíduos com Personalidade Dependente podem sair urgentemente em busca de outro relacionamento que ofereça os cuidados e o apoio de que necessitam.
A crença em sua incapacidade de funcionar na ausência de um relacionamento íntimo motiva estes indivíduos a se envolverem rápida e indiscriminadamente com outra pessoa.
Os indivíduos com este transtorno em geral se preocupam com temores de que serão abandonados à própria sorte. Eles se vêem como tão dependentes dos conselhos e ajuda de outra pessoa, que se preocupam com um abandono da parte desta, mesmo quando não há justificativa para esses temores.
Para serem considerados evidências deste critério, os temores devem ser excessivos e irrealistas. Por exemplo, um homem idoso com câncer que se muda para a casa de um filho para obter auxílio apresenta um comportamento dependente adequado, dadas as suas circunstâncias de vida.
Os indivíduos com Personalidade Dependente muitas vezes se caracterizam por pessimismo e insegurança, tendem a menosprezar suas capacidades e realizações e podem constantemente referir a si mesmos como "tolos". Eles tomam críticas e reprimendas como provas de sua inutilidade e perdem a autoconfiança. Eles podem procurar ser superprotegidos e dominados pelos outros.
O funcionamento ocupacional pode ficar comprometido se exigir a iniciativa independente. Eles podem evitar posições de responsabilidade e ficar ansiosos quando existe a necessidade inadiável de tomar uma decisão. As relações sociais tendem a se limitar àquelas poucas pessoas das quais o indivíduo é dependente.
Critérios Diagnósticos para Personalidade Dependente
Uma necessidade invasiva e excessiva de ser cuidado, que leva a um comportamento submisso e aderente e a temores de separação, que começa no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos, indicado por pelo menos cinco dos seguintes critérios:
(1) dificuldade em tomar decisões do dia-a-dia sem uma quantidade excessiva de conselhos e reasseguramento da parte de outras pessoas
(2) necessidade de que os outros assumam a responsabilidade pelas principais áreas de sua vida
(3) dificuldade em expressar discordância de outros, pelo medo de perder o apoio ou aprovação.
(4) dificuldade em iniciar projetos ou fazer coisas por conta própria (em vista de uma falta de autoconfiança em seu julgamento ou capacidades, não por falta de motivação ou energia)
(5) vai a extremos para obter carinho e apoio de outros, a ponto de voluntariar-se para fazer coisas desagradáveis
(6) sente desconforto ou desamparo quando só, em razão de temores exagerados de ser incapaz de cuidar de si próprio
(7) busca urgentemente um novo relacionamento como fonte de carinho e amparo, quando um relacionamento íntimo é rompido
(8) preocupação irrealista com temores de ser abandonado à sua própria sorte
Personalidade Borderline. campinas
A característica essencial da Personalidade Borderline é um padrão invasivo de instabilidade dos relacionamentos interpessoais, auto-imagem e afetos, e acentuada impulsividade que começa no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos.Os indivíduos com Personalidade Borderline fazem esforços frenéticos para evitarem um abandono real ou imaginado. A percepção da separação ou rejeição iminente ou a perda da estrutura externa podem ocasionar profundas alterações na auto-imagem, afeto, cognição e comportamento.
Esses indivíduos são muito sensíveis às circunstâncias ambientais. Eles experimentam intensos temores de abandono e raiva inadequada, mesmo diante de uma separação real de tempo limitado ou quando existem mudanças inevitáveis em seus planos (por ex., reação de súbito desespero quando o clínico anuncia o final da sessão; pânico ou fúria quando alguém que lhes é importante se atrasa apenas alguns minutos ou precisa cancelar um encontro). Eles podem acreditar que este "abandono" implica que eles são "maus". Esse medo do abandono está relacionado a uma intolerância à solidão e a uma necessidade de ter outras pessoas consigo. Seus esforços frenéticos para evitar o abandono podem incluir ações impulsivas tais como comportamentos de automutilação ou suicidas.
Os indivíduos com Personalidade Borderline têm um padrão de relacionamentos instáveis e intensos. Eles podem idealizar potenciais cuidadores ou amantes já no primeiro ou no segundo encontro, exigir que passem muito tempo juntos e compartilhar detalhes extremamente íntimos na fase inicial de um relacionamento. Pode haver, entretanto, uma rápida passagem da idealização para a desvalorização, por achar que a outra pessoa não se importa o suficiente, não dá o bastante, não está "ali" o suficiente.
Esses indivíduos podem sentir empatia e carinho por outras pessoas, mas apenas com a expectativa de que a outra pessoa "estará lá" para também atender às suas próprias necessidades, quando exigido. Estes indivíduos estão inclinados a mudanças súbitas e dramáticas em suas opiniões sobre os outros, que podem ser vistos alternadamente como suportes benévolos ou como cruelmente punitivos. Tais mudanças freqüentemente refletem a desilusão com uma pessoa cujas qualidades de devotamento foram idealizadas ou cuja rejeição ou abandono são esperados.
Pode haver um distúrbio de identidade caracterizado por uma auto-imagem ou sentimento de self acentuado e persistentemente instável. Mudanças súbitas e dramáticas são observadas na auto-imagem, caracterizadas por objetivos, valores e aspirações profissionais em constante mudança. O indivíduo pode exibir súbitas mudanças de opiniões e planos acerca da carreira, identidade sexual, valores e tipos de amigos. Esses indivíduos podem mudar subitamente do papel de uma pessoa suplicante e carente de auxílio para um vingador implacável de maus tratos passados.
Embora geralmente possuam uma auto-imagem de malvados, os indivíduos com este transtorno podem, por vezes, ter o sentimento de não existirem em absoluto. Tais experiências habitualmente ocorrem em situações nas quais o indivíduo sente a falta de um relacionamento significativo, carinho e apoio. Esses indivíduos podem apresentar pior desempenho em situações de trabalho ou escolares não estruturados.
Os indivíduos com este transtorno exibem impulsividade em pelo menos duas áreas potencialmente prejudiciais para si próprios. Eles podem jogar, fazer gastos irresponsáveis, comer em excesso, abusar de substâncias, engajar-se em sexo inseguro ou dirigir de forma imprudente. As pessoas com Personalidade Borderline apresentam, de maneira recorrente, comportamento, gestos ou ameaças suicidas ou comportamento automutilante.
O suicídio completado ocorre em 8 a 10% desses indivíduos, e os atos de automutilação (por ex., cortes ou queimaduras), ameaças e tentativas de suicídio são muito comuns. Tentativas recorrentes de suicídio são, freqüentemente, a razão pela qual estes indivíduos buscam auxílio. Tais atos autodestrutivos geralmente são precipitados por ameaças de separação ou rejeição ou por expectativas de que assumam maiores responsabilidades.
A automutilação pode ocorrer durante experiências dissociativas e freqüentemente traz alívio pela reafirmação da capacidade de sentir ou pela expiação do sentimento de ser mau.
Os indivíduos com Personalidade Borderline podem apresentar instabilidade afetiva, devido a uma acentuada reatividade do humor (por ex., disforia episódica intensa, irritabilidade ou ansiedade, em geral durando algumas horas e apenas raramente mais de alguns dias).
O humor disfórico básico dos indivíduos com Personalidade Borderline muitas vezes é perturbado por períodos de raiva, pânico ou desespero e, raramente, é aliviado por períodos de bem-estar ou satisfação. Esses episódios podem refletir a extrema reatividade do indivíduo a estresses interpessoais. Os indivíduos com Personalidade Borderline podem ser incomodados por sentimentos crônicos de vazio.
Facilmente entediados, podem estar sempre procurando algo para fazer. Os indivíduos com este transtorno freqüentemente expressam raiva intensa e inadequada ou têm dificuldade para controlar sua raiva. Eles podem exibir extremo sarcasmo, persistente amargura ou explosões verbais.
A raiva freqüentemente vem à tona quando um cuidador ou amante é visto como negligente, omisso, indiferente ou prestes a abandoná-lo. Tais expressões de raiva freqüentemente são seguidas de vergonha e culpa e contribuem para o sentimento de ser mau.
Durante períodos de extremo estresse, podem ocorrer ideação paranóide ou sintomas dissociativos transitórios (por ex., despersonalização), mas estes em geral têm gravidade ou duração insuficiente para indicarem um diagnóstico adicional.
Estes episódios ocorrem mais comumente em resposta a um abandono real ou imaginado. Os sintomas tendem a ser transitórios, durando minutos ou horas. O retorno real ou percebido do carinho da pessoa cuidadora pode ocasionar uma remissão dos sintomas.
Os indivíduos com Personalidade Borderline podem ter um padrão de boicote a si mesmos quando uma meta está prestes a ser alcançada (por ex., abandonar a escola justo antes da formatura, regredir severamente após uma discussão acerca do sucesso da terapia até o momento atual, destruir um bom relacionamento justamente quando está claro que este poderia ser duradouro).
Abuso físico e sexual, negligência, conflito hostil e perda ou separação parental precoce são mais comuns na história da infância dos indivíduos com Transtorno da Personalidade Borderline. Transtornos concomitantes comuns do Eixo I incluem Transtornos do Humor, Transtornos Relacionados a Substâncias, Transtornos Alimentares (notadamente Bulimia), Transtorno de Estresse Pós-Traumático e Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade.
Critérios Diagnósticos para Personalidade Borderline
Um padrão invasivo de instabilidade dos relacionamentos interpessoais, auto-imagem e afetos e acentuada impulsividade, que começa no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos, como indicado por cinco (ou mais) dos seguintes critérios:
(1) esforços frenéticos para evitar um abandono real ou imaginado.
(2) um padrão de relacionamentos interpessoais instáveis e intensos, caracterizado pela alternância entre extremos de idealização e desvalorização
(3) perturbação da identidade: instabilidade acentuada e resistente da auto-imagem ou do sentimento de self
(4) impulsividade em pelo menos duas áreas potencialmente prejudiciais à própria pessoa (por ex., gastos financeiros, sexo, abuso de substâncias, direção imprudente, comer compulsivamente).
(5) recorrência de comportamento, gestos ou ameaças suicidas ou de comportamento automutilante
(6) instabilidade afetiva devido a uma acentuada reatividade do humor (por ex., episódios de intensa disforia, irritabilidade ou ansiedade geralmente durando algumas horas e apenas raramente mais de alguns dias)
(7) sentimentos crônicos de vazio
(8) raiva inadequada e intensa ou dificuldade em controlar a raiva (por ex., demonstrações freqüentes de irritação, raiva constante, lutas corporais recorrentes)
(9) ideação paranóide transitória e relacionada ao estresse ou severos sintomas dissociativos
Deméter
Filha de Cronos e de Reia, Deméter é a irmã loura de Héstia (a mais velha), assim como de Hades, Posídon e Zeus.
Acontece que Posídon se apaixonou por sua irmã e Deméter, a fim de lhe escapar, metamorfoseou-se numa égua e misturou-se aos
cavalos do rei da Arcádia. Mas o seu irmão tomou a forma de um cavalo e conquistou-a, tornando-a mãe do cavalo Aríon -
dotado da palavra – e de uma filha que é nomeada na mitologia com o vocábulo “A Senhora”.
Entretanto, também Zeus cobiçou Deméter. Ela tentou resistir-lhe, mas o rei dos deuses, sob a forma de um touro, violou-a e a deusa deu à luz uma filha, chamada Core (que significa: a jovem), que foi a sua alegria e o seu orgulho. Infelizmente, o terceiro dos irmãos, Hades, até então recusado por todas as deusas, apaixonou-se pela sua sobrinha e raptou-a.
A busca de Deméter desde este dia, Deméter, obcecada pelo grito patético de sua filha, consagrou todo o seu tempo e todas as suas forças à procura da sua bem-amada (o único sossego que ela concedeu a si própria, foi-lhe proporcionado pela semente da dormideira, nascida no meio do trigo). Durante nove dias e nove noites, ela percorreu o mundo, com um archote em cada mão.
A deusa Hécate, que escutara os clamores de Core, não pôde indicar-lhe a pista. Mas Hélio, em compensação, identificou o autor do rapto. Abatida pela revelação, Deméter renunciou às suas prerrogativas divinas, decidindo ficar na terra até que a sua filha lhe fosse devolvida.
Foi assim que, sob a aparência de uma velha, a deusa se refugiou em Elêusis, próximo de Atenas. Aí, ela colocou-se ao serviço da rainha que a contratou como ama de um dos seus filhos: Demofonte (não confundir com o filho de Teseu) ou, segundo a versão mais corrente, Triptólemo.
Entretanto, Deméter desinteressou-se completamente das culturas que até aí protegia. Assim, a terra transformou-se num deserto e a fome ameaçou os homens e os animais. Zeus, inquieto, e temendo ver a ordem do mundo subvertida, ordenou a seu irmão que renunciasse a Core. Mas esta, que tinha tomado o nome de Perséfone, não podia esçapar aos Infernos, a não ser que, durante a sua estadia, se tivesse abstido de todo o alimento. Ora acontece que a jovem tinha trincado um grão de romã (símbolo de casamento), encontrando-se assim ligada ao seu esposo infernal.
Deste modo, o seu pai arranjou um compromisso: se Deméter aceitasse voltar para junto dos deuses, Perséfone poderia dividir o seu tempo entre a sua mãe e o seu marido.
Atribuições de Deméter Segundo o acordo preconizado por Zeus, Perséfone passaria seis meses do ano com Deméter, no Olimpo, e outros seis meses na companhia de Hades, nos Infernos. Durante a estação tórrida, Deméter deixava os seus campos desnudarem-se, mas durante os seis meses seguintes favorecia a eciosão da vegetação.
Antes de deixar a terra, a deusa confiou a Triptólemo – que ela não conseguiu tornar imortal – a missão de difundir, por toda a terra, a cultura do trigo.
A Sicília e a Campânia, dois dos celeiros de trigo da Antiguidade, conservaram a lembrança dos combates travados por Deméter pela posse do seu solo: o primeiro, em detrimento de Hefesto, o segundo de Dioniso.
Adorada em muitas regiões do mundo grego, que se gabavam de ter acolhido a deusa quando da sua busca, Deméter tinha os seus principais centros de culto na Ática. Aí celebravam-se, em sua honra, cerimônias importantes. Durante o mês de Outubro, época das sementeiras e das festas de acções de graças, acessíveis a todos, aconteciam as Tesmofóricas (Deméter era chamada Tesmófora, a legisladora, no seu papel de reconhecida fundadora da civilização, sobretudo da instituição do casamento). Em Elêusis festejavam-se as Eleusínias, grandes solenidades que marcavam, em Setembro, o princípio da subida de Perséfone.
Estas eram reservadas aos iniciados nos mistérios, que se preocupavam não somente com os benefícios concernantes à vida terrena, mas sobretudo com a felicidade das almas no além.
A divindade itálica Ceres, originária da Campânia, foi assimilada, pelos Romanos, a Deméter, que desde então se tornou numa divindade de primeiro plano.
Deméter é representada pela estatuária grega como uma mulher de beleza severa, olhar longínquo, coroada de espigas ou com uma corbelha (simbolizando a fecundidade).
Fonte: Dicionário de Mitologia